Redação Exame
Publicado em 10 de janeiro de 2026 às 18h44.
Os Estados Unidos cobraram neste sábado (10) que o governo sírio e as forças curdas voltem à mesa de negociações, após dias de confrontos em Aleppo que obrigaram dezenas de milhares de pessoas a abandonar suas casas.
Os embates na cidade do norte sírio — entre Damasco e os curdos, que controlam partes do nordeste do país — deixaram ao menos 21 civis mortos desde terça-feira, segundo fontes de ambos os lados.
A escalada também provocou o deslocamento de cerca de 155 mil pessoas, a maioria moradores de bairros curdos, de acordo com autoridades locais.
Os enfrentamentos, os mais intensos em Aleppo desde a queda de Bashar al-Assad em dezembro de 2024, ocorreram em meio às dificuldades para implementar um acordo firmado em março. O entendimento prevê a incorporação das instituições da administração autônoma curda e das Forças Democráticas Sírias (FDS) ao novo Estado.
Autoridades sírias afirmaram que combatentes curdos entrincheirados em um bairro de Aleppo teriam se rendido e estariam sendo evacuados para a região autônoma do nordeste da Síria. As forças curdas, porém, classificaram a versão como “totalmente falsa”.
Em Damasco, o enviado americano Tom Barrack pediu “moderação” e defendeu o fim imediato das hostilidades após se reunir com o presidente sírio Ahmed al-Sharaa.
Depois de assumir o controle de Ashrafieh, o outro bairro sob influência curda, o Exército sírio anunciou o “encerramento de todas as operações militares em Sheikh Maqsud” e, mais tarde, a transferência de combatentes da área para o território autônomo curdo, mais a leste.
Um correspondente da AFP relatou ter visto pelo menos quatro ônibus verdes transportando combatentes, escoltados por forças de segurança.
Apesar disso, os curdos afirmam que os confrontos seguem em andamento. Em nota, rejeitaram a versão do governo, chamada de “infundada”, e disseram que pretendem “continuar resistindo”.
Na sexta-feira — como já vinha ocorrendo nos dias anteriores —, o Exército sírio autorizou civis a utilizarem dois “corredores humanitários” para deixar os bairros curdos.
Damasco havia pedido que as forças curdas deixassem a cidade na sexta-feira, prometendo transferi-las com segurança para áreas controladas pelas FDS no nordeste do país.
Os combatentes entrincheirados em Sheikh Maqsud, porém, descartaram qualquer rendição.
As FDS — fundamentais no combate aos jihadistas do Estado Islâmico na Síria — contam com respaldo de Washington, que também apoia o governo de Al-Sharaa.
A intensificação da violência aumenta o temor de uma escalada regional: a Turquia afirma estar disposta a intervir ao lado das forças sírias, enquanto Israel declarou apoio aos curdos.
*Com informações da AFP