Passagem de Rafah, na fronteira com o Egito: reabertura do posto é ponto crucial do acordo de cessar-fogo e sofre pressão direta dos EUA (AFP)
Redação Exame
Publicado em 25 de janeiro de 2026 às 15h34.
Os enviados especiais dos Estados Unidos, Jared Kushner e Steve Witkoff, cobraram diretamente do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, a reabertura imediata da passagem de Rafah, na fronteira entre a Faixa de Gaza e o Egito. A pressão ocorreu durante reuniões em Jerusalém neste fim de semana, conforme revelado pela imprensa israelense neste domingo, 25.
A reabertura do posto fronteiriço é um dos pontos centrais do acordo de cessar-fogo estabelecido em 10 de outubro, mas o local permanece bloqueado. Ali Shaath, administrador de Gaza designado pelo plano de Donald Trump, chegou a declarar na última quinta-feira que o fluxo em ambas as direções seria normalizado na próxima semana, o que aumenta a urgência da cobrança americana.
De acordo com informações do portal Ynet, Witkoff insistiu para que a abertura de Rafah não seja condicionada à devolução do corpo de Ran Gvili, o último refém israelense em poder do Hamas. O enviado americano também sugeriu a inclusão da Turquia na gestão futura de Gaza, proposta que enfrenta forte resistência do governo israelense.
Fontes do governo de Israel criticaram a postura de Witkoff, acusando-o de atuar em favor de interesses do Catar e de ignorar riscos de segurança ao sugerir a presença turca na região. Netanyahu tem recusado sistematicamente o envolvimento de Recep Tayyip Erdogan no pós-guerra, apesar da sinalização favorável de Donald Trump ao líder turco.
Questionado sobre o teor das conversas e as pressões dos enviados, o gabinete de Netanyahu informou que está verificando as informações. Rafah é considerada a principal porta de entrada para ajuda humanitária e essencial para a viabilidade do plano de paz articulado por Washington.
(Com Agência O Globo)