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EUA e Irã retomam negociações em meio a ameaças e tensões militares

Rodada na Suíça ocorre sob tensão militar e exigência iraniana de fim das sanções

Aiatolá Ali Khamenei: 'Um navio de guerra é efetivamente uma arma perigosa, mas mais perigosa é a arma capaz de afundá-lo' (Handout / KHAMENEI.IR/AFP)

Aiatolá Ali Khamenei: 'Um navio de guerra é efetivamente uma arma perigosa, mas mais perigosa é a arma capaz de afundá-lo' (Handout / KHAMENEI.IR/AFP)

Publicado em 17 de fevereiro de 2026 às 10h25.

Estados Unidos e Irã retomaram nesta terça-feira, 17, em Genebra, na Suíça, uma nova rodada de negociações sobre o programa nuclear e temas de segurança. O encontro ocorre sob mediação de Omã e em meio a um cenário de tensão militar no Oriente Médio.

No mesmo dia, o líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, elevou o tom contra Washington ao comentar a presença de forças navais americanas na região. "Ouvimos o tempo todo que [os Estados Unidos] enviaram um navio de guerra ao Irã. Um navio de guerra é efetivamente uma arma perigosa, mas mais perigosa é a arma capaz de afundá-lo", afirmou em discurso.

O porta-aviões USS Abraham Lincoln foi mobilizado com cerca de 80 aeronaves e outros 11 navios de guerra. No domingo, estava a aproximadamente 700 quilômetros da costa iraniana, segundo imagens de satélite.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também determinou o envio do USS Gerald R. Ford à região. "Caso não consigamos um acordo, vamos precisar dele", declarou.

As declarações ocorrem após a Guarda Revolucionária iraniana realizar exercícios militares no estreito de Ormuz, com mobilização de barcos e helicópteros e testes de drones e mísseis. Segundo a televisão estatal, as manobras buscam preparar a força "para possíveis ameaças militares e de segurança".

A emissora informou ainda que o Irã fechará partes do estreito "por segurança", sem detalhar por quanto tempo. Pelo local transita cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito consumidos no mundo.

Negociações entre Irã e EUA

O diálogo entre os dois países foi retomado em 6 de fevereiro, em Mascate, após uma escalada de ameaças. Teerã afirma que a negociação deve se restringir ao programa nuclear. Washington exige também limites ao programa de mísseis balísticos e o fim do apoio iraniano a grupos armados na região.

O porta-voz da Chancelaria iraniana, Esmail Baghaei, disse que qualquer entendimento precisa incluir alívio econômico. "O levantamento das sanções é indissociável de qualquer acordo sobre a questão nuclear", declarou. Na véspera, ele havia avaliado "com cautela" que "a postura dos Estados Unidos sobre a questão nuclear iraniana se tornou mais realista".

Trump afirmou que participará "indiretamente" das negociações e voltou a pressionar Teerã. "Eles querem chegar a um acordo (...) Não acho que queiram as consequências de não alcançar um acordo", disse. Em caso de fracasso, já mencionou consequências "traumáticas" e falou sobre a possibilidade de "mudança de regime", afirmando: "Parece que seria o melhor que poderia acontecer".

O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, declarou que "o que não está sobre a mesa é a submissão às ameaças" e que viajou a Genebra "com ideias reais para chegar a um acordo justo e equitativo". O Irã também sinalizou disposição para discutir suas reservas de urânio altamente enriquecido, estimadas em mais de 400 quilos, caso haja suspensão das sanções.

Países ocidentais e Israel suspeitam que Teerã busque desenvolver armas nucleares. O governo iraniano nega e sustenta seu "direito inalienável" de manter um programa nuclear civil e enriquecer urânio conforme o Tratado de Não Proliferação.

*Com informações da AFP

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