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EUA ampliam sanções contra a Rússia e visam frear auxílio chinês

Washington endurece medidas para conter elo tecnológico entre os países e dificultar modernização do arsenal militar russo na guerra da Ucrânia

Biden amplia sanções à Rússia e busca apoio nos países do G7 (Alex Wong/Getty Images)

Biden amplia sanções à Rússia e busca apoio nos países do G7 (Alex Wong/Getty Images)

Fernando Olivieri
Fernando Olivieri

Redator na Exame

Publicado em 13 de junho de 2024 às 06h47.

Os Estados Unidos anunciaram novas sanções financeiras para conter o crescente elo tecnológico entre China e Rússia. A intenção é dificultar a modernização do arsenal militar russo durante a guerra na Ucrânia.

De acordo com o New York Times, as medidas coincidem com a viagem do presidente americano para a reunião do G7 na Itália, onde o enfraquecimento da economia russa será prioridade. Sanções coordenadas pelos departamentos do Tesouro, Estado e Comércio buscam isolar a Rússia do sistema financeiro global e restringir seu acesso à tecnologia bélica.

A China, antes neutra, intensificou o envio de microchips, máquinas-ferramentas, sistemas ópticos para drones e componentes para armamentos avançados. Apesar disso, parece ter acatado a advertência de Biden contra o envio direto de armas à Rússia.

Para conter o auxílio financeiro chinês, os EUA expandiram as "sanções secundárias". Isso permite punir bancos estrangeiros que negociem com instituições russas já sancionadas, desestimulando bancos menores, principalmente chineses, de financiarem a guerra.

O Tesouro também restringiu a Bolsa de Valores de Moscou para impedir aporte de investidores estrangeiros em empresas de defesa russas. Sanções atingiram companhias chinesas acusadas de facilitar o acesso russo a equipamentos militares como eletrônicos, lasers e peças de drones.

Além disso, o Departamento de Estado sancionou cerca de 100 entidades ligadas ao desenvolvimento futuro da produção e exportação russa de energia, metais e mineração. Já o Comércio proibiu exportações americanas para endereços específicos em Hong Kong usados para criar empresas de fachada e direcionar bens proibidos à Rússia.

Apoio chinês

Tentativas anteriores de Biden para limitar suprimentos e financiamento russos foram superestimadas. O valor do rublo, inicialmente previsto para despencar, se recuperou. Embora enfraquecido em relação ao ano passado, a economia russa se expandiu devido à guerra. A China contribuiu para isso comprando petróleo russo com desconto e aumentando a venda de bens de uso duplo, como microeletrônicos e softwares usados em armas, drones e defesas aéreas.

Formou-se assim uma espécie de economia de guerra paralela envolvendo Rússia, China, Irã e Coreia do Norte. Muitas empresas sancionadas estão em Hong Kong ou em Shenzhen, centro manufatureiro chinês.

O governo americano acredita que desta vez conseguirá conter esse aprofundamento das relações comerciais. Com as novas restrições a empresas chinesas, os EUA buscam incentivar governos europeus e asiáticos a adotarem medidas similares. A questão será discutida em cúpulas futuras.

O secretário de Estado, Antony Blinken, alertou a China que não poderá ter relações amigáveis com a Europa se apoiar a indústria de defesa russa. Segundo ele, 70% das máquinas-ferramenta e 90% dos microeletrônicos russos vêm da China.

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