Ciência

EUA ajudará na preservação de 50 idiomas em risco de extinção

Idiomas indígenas da América Latina e dialetos russos fazem parte do projeto

Casal faz uma dança folclórica na região de Oaxaca, no México: língua local será preservada (Oaxaca Profundo/Getty Images)

Casal faz uma dança folclórica na região de Oaxaca, no México: língua local será preservada (Oaxaca Profundo/Getty Images)

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Da Redação

Publicado em 10 de agosto de 2011 às 13h58.

Washington - Duas agências federais dos Estados Unidos anunciaram nesta quarta-feira que investirão US$ 3,9 milhões em 34 projetos para a preservação digital de cerca de 50 idiomas em risco de extinção.

Trata-se da sétima rodada do programa "Documenting Endangered Languages" (DEL), uma campanha conjunta da Fundação Nacional das Ciências (NSF, na sigla em inglês) e a "National Endowment for the Humanities" (NEH, em inglês), que anunciaram a liberação de fundos em comunicado conjunto.

Os recursos financiarão estudos e projetos relacionados com idiomas e dialetos da península de Kamchatka, na Rússia; dos estados do Novo México e Oklahoma, nos EUA; uma língua de Oaxaca, México, e a documentação do uso do quíchua entre as crianças na Bolívia e no Peru, entre outros.

O dinheiro será destinado, por exemplo, à preservação digital do karuk e o yurok, duas linguagens indígenas do norte da Califórnia utilizadas apenas por alguns idosos, indicou o comunicado.

O interesse dos pesquisadores se justifica pelo fato de os documentos acadêmicos contarem com "pouca informação" sobre essas duas línguas e parte do dinheiro será destinada a analisar todo o trabalho realizado no século passado e a continuar as pesquisas em curso.

"Temos que melhorar a documentação de linguagens em risco de extinção antes que sejam silenciadas", disse Myron Gutmann, subdiretor de Ciências Sociais da NSF.

Esses idiomas "são uma fonte insubstituível de informação linguística e cognitiva, e os recentes avanços na tecnologia tornam possível integrar e analisar esses conhecimentos de forma mais completa", acrescentou.

Alguns projetos financiados pelo programa buscam melhorar o conhecimento dos aspectos "universais" dos idiomas e detectar o que podem explicar sobre os processos cognitivos do ser humano.

Para o presidente da NEH, Jim Leach, a extinção de um idioma antes que seja documentado "limita o entendimento da forma como o as pessoas se relacionam com seu entorno social e natural".

Entre os projetos financiados pelas agências federais figuram um para a criação de um dicionário do itelmen, falado por menos de 20 pessoas na península russa de Kamtchatka, e outro similar para o estudo do apache mescalero, falado por menos de 900 pessoas no sul do Novo México.

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