Estreito de Ormuz: a rota por onde circulam 20 milhões de barris de petróleo diariamente (Langevin Jacques / Colaborador/Getty Images)
Redação Exame
Publicado em 31 de janeiro de 2026 às 15h05.
O comandante do Exército do Irã, Amir Hatami, anunciou neste sábado, 31, que as forças armadas do país estão em alerta máximo após o avanço de navios de guerra dos Estados Unidos no Golfo Pérsico.
A movimentação ocorre em meio a uma escalada sem precedentes no Estreito de Ormuz. Localizado entre o norte do Irã e ao sul do território de Omã, próximo aos Emirados Árabes Unidos, o local possui largura mínima de apenas 33 quilômetros.
A importância de Ormuz para a economia mundial é difícil de mensurar em poucas palavras. O Estreito funciona como um chokepoint natural para o comércio de gás natural e óleo bruto, um ponto nevrálgico por onde escoa cerca de 20% do petróleo consumido globalmente.
Diariamente, grandes quantidades de gás natural liquefeito (GNL) e 20 milhões de barris de petróleo atravessam o canal rumo ao Oceano Índico. Qualquer interrupção, mesmo que temporária, tem o potencial de causar um choque de oferta e elevar os preços dos combustíveis em escala planetária.
Por essa razão, o Pentágono classifica a livre navegação no estreito como uma prioridade de segurança nacional.
O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, reforçou que o país está disposto a dialogar apenas em condições de igualdade, e rejeitou negociações sob ameaças militares. No último ano, a tensão física escalou com ataques de Israel e dos Estados Unidos contra centros nucleares iranianos, em uma tentativa de desmantelar a infraestrutura de defesa do regime.
Para analistas, a vulnerabilidade do estreito gera volatilidade imediata nos mercados de energia, afetando especialmente grandes importadores na Ásia, como China e Japão.
A crise ganhou novos contornos com a chegada do porta-aviões USS Abraham Lincoln à região, uma demonstração de força coordenada pelo presidente Donald Trump. O mandatário americano pressiona por um novo acordo sobre o programa atômico de Teerã, enquanto o Irã realiza exercícios navais com fogo real em águas estratégicas.
A Guarda Revolucionária Iraniana, considerada uma organização terrorista por Washington e pela União Europeia, mantém uma administração rigorosa sobre o tráfego na costa norte. O CENTCOM, comando central americano, aconselhou as forças iranianas a evitarem comportamentos inseguros nas proximidades da frota dos Estados Unidos.
Com os dois lados mobilizando alta tecnologia bélica e mísseis balísticos, o risco de um confronto direto no coração do mercado petrolífero atinge o nível mais crítico dos últimos anos.