Repórter
Publicado em 6 de janeiro de 2026 às 15h55.
O embaixador Benoni Belli, representante permanente do Brasil na Organização dos Estados Americanos (OEA) classificou como inaceitáveis os bombardeios realizados pelos Estados Unidos em território venezuelano, assim como a prisão de Nicolás Maduro.
Durante a reunião do Conselho Permanente do órgão, nesta terça-feira, 6 de janeiro, Belli reafirmou a posição do governo brasileiro, segundo a qual o ataque contra a Venezuela ultrapassa uma linha inaceitável.
O diplomata afirmou que a ofensiva representa uma violação grave à soberania venezuelana. Segundo ele, trata-se de um precedente perigoso, que ameaça a ordem internacional e enfraquece o multilateralismo ao substituir o direito pela força.
"Não podemos aceitar o argumento de que os fins justificam os meios", declarou.
Em sua declaração, o embaixador Benoni Belli afirmou que houve violação clara da Carta das Nações Unidas e das obrigações estabelecidas no âmbito hemisférico. Ele também citou uma resolução recente da Comissão Jurídica Interamericana que reafirma a proibição do uso da força nas relações internacionais, exceto nas situações previstas na própria Carta da ONU.
Segundo Belli, a ofensiva contra a Venezuela — que incluiu os bombardeios e a captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores — remete a episódios de interferência externa que marcaram negativamente a história da América Latina. O embaixador avaliou que a ação representa um desvio do compromisso regional com a paz.
"Se perdermos o edifício multilateral, perderemos não só a independência, mas também a dignidade nacional", argumentou Belli.
O representante do Brasil também enfatizou que somente um processo político inclusivo, conduzido pelos próprios venezuelanos e livre de ingerências externas, pode levar a uma solução que respeite a vontade popular e a dignidade humana no país.
Por outro lado, o embaixador Leandro Rizzuto, representante permanente dos Estados Unidos na Organização dos Estados Americanos, iniciou sua intervenção cobrando a libertação imediata de aproximadamente mil presos políticos na Venezuela. Ele declarou que essa medida é essencial para qualquer avanço democrático no país.
Rizzuto afirmou que Washington está exigindo a soltura imediata dos detidos e apoia o pedido da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, a CIDH, para que seja autorizada uma visita aos centros de detenção venezuelanos. Também defendeu que a OEA ofereça suporte técnico à população da Venezuela no campo eleitoral.
Durante sua fala, o diplomata negou que tenha ocorrido uma invasão por parte dos Estados Unidos e classificou a operação como limitada e com objetivos específicos.
"Os Estados Unidos não invadiram a Venezuela. Essa foi uma ação bem direcionada para retirar um campo conspirador, a fim de que pudesse enfrentar a Justiça nos Estados Unidos".
Os Estados Unidos invadiram a Venezuela na madrugada deste sábado, 3, e capturaram o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, em uma operação militar de grande escala que incluiu bombardeios em Caracas e em regiões estratégicas do país.
A ação, confirmada pelo presidente americano Donald Trump, levou o líder chavista para uma prisão nos Estados Unidos sob acusações de narcoterrorismo e abriu uma crise sem precedentes recentes na América do Sul, com impactos diretos sobre a soberania venezuelana, o equilíbrio regional, o mercado global de petróleo e a arquitetura de segurança internacional.
Os Estados Unidos afirmam ter realizado um ataque em larga escala contra a Venezuela, com bombardeios em Caracas e em estados estratégicos como Miranda, La Guaira e Aragua. Segundo Washington, a ofensiva derrubou sistemas de energia e alvos militares antes da captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.
Maduro foi capturando antes de entrar em um bunker, retirado do país e levado para os Estados Unidos, onde está preso no Metropolitan Detention Center, no Brooklyn. Ele é acusado de narcoterrorismo e tráfico internacional de cocaína e deverá responder a processos em tribunais de Nova York. Autoridades venezuelanas afirmam que integrantes da equipe de segurança presidencial foram mortos durante a operação.
A ação foi conduzida, segundo a imprensa americana, por militares da Delta Force, unidade de elite do Exército dos EUA.
Após a operação, Trump apresentou o que chamou de “Doutrina Donroe”, em referência direta à Doutrina Monroe, ao afirmar que o hemisfério ocidental estaria sob responsabilidade de Washington. O presidente dos EUA disse que a ofensiva representa uma nova estratégia de intervenção regional e afirmou que novas ações militares não estão descartadas.
Trump declarou que as Forças Armadas americanas permanecem prontas para um segundo ataque caso o novo comando venezuelano “não se comporte”. O presidente também fez advertências diretas a Colômbia e México, sugerindo que ambos enfrentam problemas ligados ao narcotráfico e poderiam ser alvo de iniciativas semelhantes.
(Com informações da AFP)