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Em novo livro, Thomas Friedman defende New Deal verde

Autor de "O Mundo é Plano" afirma que os EUA precisam liderar uma revolução tecnológica ambiental

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Da Redação

Publicado em 12 de outubro de 2010 às 18h39.

O mais aguardado livro de não-ficção do ano - Hot, Flat and Crowded - Why We Need a Green Revolution and How It Can Renew America (Quente, Plano e Congestionado - Por Que Precisamos de Uma Revolução Verde e Como Ela Pode Renovar a América, na tradução para o português), do jornalista americano Thomas Friedman - só deverá chegar às livrarias americanas daqui a um mês, no dia 8 de setembro. O livro será lançado pela Objetiva no Brasil, ainda sem data definida. Mas graças ao extraordinário apelo conquistado pelo autor com seu último best-seller, O Mundo é Plano, de 2005, que já vendeu cerca de dez milhões de cópias globalmente, uma nova onda da "friedmanmania" começa a pipocar na Internet. Como é de praxe em grandes lançamentos no mercado literário de língua inglesa, o livro, em que Friedman aborda o aquecimento do planeta no âmbito da globalização e defende que os EUA liderem uma revolução tecnológica verde, já pode ser encomendado no site da Amazon por 27,95 dólares (mais o frete internacional para entregas no Brasil). Além disso, a fim de atiçar a curiosidade do público, Friedman e sua editora, a Farrar, Strauss and Giroux (FSG) resolveram franquear ao público uma amostra-grátis das 484 páginas de Hot, Flat and Crowded. Até o dia 11 de agosto, quem se cadastrar no site http://www.thomaslfriedman.com/giveaway poderá fazer o download de um arquivo no formato mp3. Apesar de não ser narrado pelo autor, o áudio, com 46 minutos de duração, proporciona um bom resumo do livro. "Há quem pense que o aumento da temperatura possa ser comparado ao Titanic antes de bater no iceberg," afirma Friedman. "Na verdade, nós - o planeta - já atingimos o iceberg, mas há quem ainda esteja dançando no convés do navio".

Escrito bem ao estilo Friedman, em tom de manifesto, o livro combina uma reportagem recheada de metáforas e bate-papos com líderes como os CEO da GE, Jeff Immelt, e da Chevron David O'Reilly, com uma série de recomendações ao governo americano, empresas, universidades e centros de pesquisa. De saída, Friedman critica o governo George W. Bush no que diz respeito à política de meio-ambiente e à desmoralização internacional causada pela Guerra do Iraque. "Hoje, a América padece de uma mentalidade de bunker," diz. "Mas se soubermos liderar uma genuína revolução, uma espécie de New Deal verde, os EUA não apenas irão recuperar o prestígio perdido, mas irão cumprir a mais ambiciosa missão já enfrentada pela humanidade em tempos de paz". Segundo ele, a principal tarefa a ser enfrentada é a redução pela metade das emissões globais de CO2 nos próximos cinquenta anos. Friedman se baseia nos cálculos da dupla de cientistas Robert Sokolow e Stephen Pacala, que prevêm que é preciso que a humanidade deixe de emitir 200 bilhões de toneladas de carbono até 2060. Para atingir tal objetivo, seria preciso empreender uma profunda mudança na matriz energética mundial, sem prejudicar o acelerado ritmo de crescimento das economias emergentes e da África.

Entre as recomendações de Friedman estão: "duplicar a geração de energia nuclear para substituir o carvão; produzir dois bilhões de carros movidos a etanol, usando apenas um sexto das terras aráveis do planeta; aumentar a geração de energia solar em 700% e cortar o consumo de energia em domicílios, fábricas e escritórios em 25%". Como era de se esperar, Friedman também recomenda a redução expressiva do desmatamento das florestas tropicais, uma vez que elas representam cerca de 20% das emissões globais de CO2 ao ano. Aliás, no que diz respeito aos países Bric, Friedman argumenta que sem eles, mesmo que os EUA adotem as políticas corretas, o aquecimento global vai persitir em níveis alarmantes. "A revolução verde não surtirá efeito junto ao povo americano a menos que ela também atinja os povos da China, Índia e Brasil," afirma. "E para que ela atinja esses três grandes países em desenvolvimento, o preço da energia limpa alternativa - eólica, biocombustíveis, nuclear, solar e sequestro de carbono - tem que cair ao nível do preço dos produtos made in China". Na batalha pelo corte de custos com caráter ecológico, Friedman aponta a rede varejista Wal-Mart na vanguarda tecnológica. Através de uma parceria com a ONG Conservação Internacional, o Wal-Mart fixou a meta de reduzir os tamanhos das embalagens de seus produtos em 5% até 2013. Já quando o desafio é o desenvolvimento de energia limpa, a missão, segundo ele, envolve o investimento de trilhões de dólares em pesquisa e desenvolvimento. Diante de tamanha conta, a presença dos EUA a bordo da revolução verde é imprescindível. "Não creio que o mundo vá enfrentar a mudança climática efetivamente sem a América, seu presidente, seu governo, sua indústria, seus mercados e o povo americano liderando a marcha. A revolução verde já atingiu o povo americano - já é mais do que um hobby - mas ainda é menos do que um estilo de vida", conclui.

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