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Em meio a tensões globais, China se torna rota diplomática em 2026

Líderes da Ásia, das Américas e da Europa intensificaram visitas oficiais à China para discutir cooperação política e econômica

O chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi (Lucas Jackson/Reuters)

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China2Brazil
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Agência

Publicado em 11 de fevereiro de 2026 às 15h11.

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Desde o início de 2026, líderes da Ásia, das Américas e da Europa intensificaram visitas oficiais à China para discutir cooperação política e econômica, em meio à instabilidade do cenário internacional. A sequência de encontros em Pequim ocorre em um contexto de tensões geopolíticas e incertezas na economia global, o que leva governos a buscar previsibilidade, acordos comerciais e canais de diálogo com o país.

A revista americana Forbes observou que a capital chinesa tem recebido delegações estrangeiras quase diariamente, em busca de um ambiente econômico menos volátil. O movimento reforça a percepção de que a China ocupa um espaço central nas articulações diplomáticas e comerciais em 2026.

No início de fevereiro, o presidente Xi Jinping conversou por videoconferência com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e, em seguida, falou por telefone com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo o South China Morning Post, a sequência de contatos com líderes de duas potências globais ilustra a atuação diplomática da China no início do ano.

Xi afirmou a Putin que pretende trabalhar em um novo plano para as relações bilaterais e defendeu a atuação conjunta dos dois países para manter a estabilidade estratégica internacional. O presidente chinês declarou que China e Rússia, como membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, devem incentivar a defesa do multilateralismo, da equidade entre os países e das normas básicas do direito internacional.

Na conversa com Trump, Xi disse que pretende manter o diálogo para dar previsibilidade às relações entre China e Estados Unidos. O presidente chinês também afirmou que a China não abrirá mão de sua soberania e integridade territorial, incluindo a posição sobre Taiwan. Trump descreveu a ligação como “longa e completa” e afirmou que o diálogo foi “muito positivo”, em publicação nas redes sociais.

Além dos contatos entre chefes de Estado, a China recebeu, em janeiro, 18 novos embaixadores em Pequim. Ao encontrá-los, Xi incentivou os diplomatas a conhecer diferentes regiões do país para formar uma visão mais ampla sobre a sociedade chinesa. A mesma referência foi retomada pelo primeiro-ministro britânico Keir Starmer durante sua visita à China, a primeira de um premiê do Reino Unido em oito anos. O encontro marcou a retomada de contatos de alto nível após um período de redução no diálogo bilateral.

Durante a reunião no Grande Salão do Povo, Xi afirmou que China e Reino Unido devem ampliar a cooperação e adotar uma visão de longo prazo para a relação entre os dois países. Após o encontro, Starmer declarou que o fortalecimento dos laços com a China atende ao interesse nacional britânico e destacou a presença de uma delegação empresarial na viagem.

Desde dezembro de 2025, a China recebeu líderes como o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, o presidente da França, Emmanuel Macron, e o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, além dos primeiros-ministros do Reino Unido, Canadá, Finlândia e Irlanda. As agendas incluíram reuniões políticas em Pequim e visitas a centros econômicos, como Xangai, para encontros com empresários e investidores.

Em 2026, a China iniciou a execução do 15º Plano Quinquenal (2026–2030). Durante as reuniões com líderes estrangeiros, Xi tem apresentado as diretrizes do plano, que prioriza desenvolvimento econômico, inovação tecnológica e ampliação da abertura comercial. O governo chinês afirma que essas diretrizes criam oportunidades para empresas e governos parceiros.

As visitas já resultaram em acordos. Durante a passagem do primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, os dois países assinaram um roteiro de cooperação econômica e comercial. O Canadá também autorizou a importação anual de até 49 mil veículos elétricos chineses com tarifa de 6,1%, mantendo a sobretaxa de 100% para volumes acima desse limite. Os dois governos ainda anunciaram a ampliação de voos diretos e medidas para facilitar negócios bilaterais.

A visita de Keir Starmer resultou na assinatura de quatro acordos de cooperação econômica e comercial e na redução da tarifa sobre o uísque britânico, de 10% para 5%. Já o presidente sul-coreano Lee Jae-myung afirmou, em fórum empresarial em Pequim, que a cooperação em áreas como inteligência artificial pode ampliar a parceria entre China e Coreia do Sul. Em Xangai, Lee participou de uma cúpula de startups e defendeu maior integração entre os ecossistemas de inovação dos dois países.

O primeiro-ministro da Finlândia, Petteri Orpo, apontou oportunidades de cooperação em energia limpa e transição energética. Segundo ele, projetos conjuntos nessas áreas podem contribuir para metas climáticas e para a expansão de investimentos bilaterais.

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