Ucrânia: país receberá empréstimo de € 90 bilhões para financiar suas forças armadas (Tetiana DZHAFAROVA/AFP)
Estagiária de jornalismo
Publicado em 11 de fevereiro de 2026 às 14h44.
A Ucrânia receberá da União Europeia, no período 2026-2027, um empréstimo de € 90 bilhões (R$ 557 bilhões) para custear despesas da guerra com a Rússia.
O valor foi aprovado no Parlamento Europeu nesta quarta-feira, 11, 458 votos a favor, 140 contra e 44 abstenções. A proposta havia sido anunciada dezembro de 2025, quando o presidente da Conselho Europeu, António Costa, afirmou que o bloco havia "decidido providenciar € 90 bilhões para apoiar a Ucrânia em 2026-2017".
We have a deal.
Decision to provide 90 billion euros of support to Ukraine for 2026-27 approved.
We committed, we delivered.
— António Costa (@eucopresident) December 19, 2025
O empréstimo será financiado por meio da emissão de dívida da União Europeia nos mercados financeiros. Os juros, que chegam a cerca de € 3 bilhões (R$ 18,5 bilhões) por ano, serão pagos com recursos do orçamento da União Europeia.
Dos € 90 bilhões, € 60 bilhões (R$ 371 bilhões) serão utilizados pela Ucrânia para investir na sua indústria de defesa. O restante será usado para cobrir outras necessidades orçamentárias, mas sob a condição de que Kiev implemente reformas.
O acordo estipula que a Ucrânia apenas reembolsará a UE após a Rússia pagar as reparações da guerra. Essas reparações serão definidas ao fim do conflito, que completará quatro anos no final de fevereiro e, até o momento, não tem indicações concretas de quando será finalizado.
Os primeiros pagamentos europeus à Ucrânia podem ser feitos já em abril.
No contexto europeu, o aporte foi aprovado por maioria absoluta, mas enfrentou oposição de alguns grupos.
República Tcheca, Hungria e Eslováquia decidiram não participar neste mecanismo. Os três países do leste europeu não terão suas contribuições orçamentárias à União Europeia afetadas pelo empréstimo.
Outra frente de oposição foram os eurodeputados de partidos de extrema direita. Contrários ao empréstimo, eles tentaram adiar a votação, mas não tiveram sucesso.
A maneira pela qual o empréstimo será financiado também foi disputada por diferentes lados. A Alemanha propôs usar os ativos russos congelados na Europa, em vez de financiar a ajuda a Kiev com um empréstimo europeu.
Essa proposta não foi aceita pela Bélgica, onde a maior parte desses fundos se encontra. A alternativa alemã também levantou preocupações de vários países quanto ao risco de infringir as regras financeiras internacionais e acabou por ser derrubada.
Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), a Ucrânia precisa de € 135,7 bilhões (R$ 840,8 bilhões) em financiamento entre 2026 e 2027.
Após os cortes na ajuda dos Estados Unidos decididos pelo presidente Donald Trump, a UE decidiu cobrir dois terços desse valor. O restante poderá ser fornecido por outros aliados da Ucrânia, como Noruega e Canadá.
"O apoio à Ucrânia depende de um pequeno número de países, e a Europa assume a maior parte. Isso é motivo de orgulho e também de preocupação, porque a nossa segurança está em jogo", declarou a eurodeputada centrista francesa Nathalie Loiseau.
*Com informações da AFP