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Em isolamento total, partido comunista do Vietnã se une para eleger novo líder

Congresso da legenda acontece uma vez a cada 5 anos – os 1.600 participantes não têm acesso à internet, utilizam tablets providenciados pelo partido e se alojam em acomodações designadas

O Secretário-Geral do Partido Comunista do Vietnã (13º mandato), To Lam (C), e o Presidente Luong Cuong (centro à direita), juntamente com delegados, participam do 14º Congresso Nacional do Partido, prestando suas homenagens no mausoléu de Ho Chi Minh, em Hanói. (Divlugação/Vietnam News Agency/AFP)

O Secretário-Geral do Partido Comunista do Vietnã (13º mandato), To Lam (C), e o Presidente Luong Cuong (centro à direita), juntamente com delegados, participam do 14º Congresso Nacional do Partido, prestando suas homenagens no mausoléu de Ho Chi Minh, em Hanói. (Divlugação/Vietnam News Agency/AFP)

Publicado em 19 de janeiro de 2026 às 15h17.

O partido comunista do Vietnã, o único partido político do país e incumbente desde o fim da guerra do Vietnã em 1975, se reúne nos próximos dias a partir desta segunda-feira, 19, para conduzir um congresso que decidirá o futuro líder do partido, a posição de mais poder e influência política do país.

O novo líder será eleito por um processo altamente controlado, que se inicia nessa segunda-feira, 19. Os 1.600 participantes receberam tablets da Samsung pré-programados, sem acesso à internet, que também é proibido em seus telefones pessoais. Além disso, se alojam em acomodações designadas pelo próprio partido, onde devem ficar quando o congresso não está em sessão, inclusive os que moram em na capital de Hanoi, onde o evento acontece.

As medidas fazem parte de um aperto na segurança do evento, que só ocorre uma vez a cada 5 anos. Segundo fontes anônimas próximas ao evento disseram a agências internacionais, sinais telefônicos no local do evento chegaram a ser congestionados com aparelhos de interferência. Instruções também foram enviadas à repórteres que estão cobrindo o congresso:

Segundo diretrizes enviadas pelo Ministério das Relações Exteriores do Vietnã à imprensa estrangeira, os jornalistas "não devem causar qualquer impacto negativo na imagem ou reputação do Vietnã, de sua alta liderança ou de seus representantes, de qualquer forma".

É nesse cenário que os congressistas elegerão, ao curso de uma semana, o líder do partido pelo resto dessa década, com o favorito sendo o incumbente Tô Lâm, de 68 anos.

Os membros do partido, em um dia não especificado essa semana, votarão em 200 representantes para formar um comitê central, que por sua vez decidirá, de uma lista com cerca de 17 a 19 membros, o novo líder do partido. Os resultados devem ser revelados no dia 25 de janeiro, com discurso de inauguração do novo secretário geral.

No topo da nova agenda do partido deve estar o crescimento econômico. O diferencial é que, dessa vez, as mudanças deverão ser mais decisivas, ao invés de incrementais, como tradicionalmente são. "O Vietnã ainda enfrenta grandes desafios, incluindo o risco de ficar ainda mais para trás economicamente, além de não conseguir se adaptar com rapidez suficiente às mudanças climáticas e à degradação ambiental", diz um comunicado oficial do partido que deve ser emitido para congressistas. Mas também busca ampliar seus horizontes econômicos, já que  "Com alguns parceiros importantes, a confiança permanece baixa, desigual e não verdadeiramente sustentável." Recorte da BBC julga que o comentário foi feito em relação aos EUA.

O secretário-geral do Partido Comunista do Vietnã (13º mandato), To Lam (no centro), e o presidente Luong Cuong (à direita), junto a delegados, participam do 14º Congresso Nacional do Partido, em Hanói. (AFP PHOTO /VIETNAM NEWS AGENCY/AFP)

Quem é Tô Lâm como líder

Lâm, que tomou o cargo após a morte de seu predecessor, Nguyen Phu Trong em 2024, é visto como um líder que toma riscos. Durante sua carreira política, Lâm ajudou a implementar e supervisionar mudanças controversas, mas entre as mais intensas vistas em décadas, como cortar dezenas de milhares de empregos em um esforço para acelerar a tomada de decisões na economia e na política, como projetos de investimentos.

Essa ênfase na aceleração faz parte de medidas anticorrupção impostas pelo seu predecessor, um esforço que Lâm ajudou a coordenar em sua antiga capacidade como ministro de segurança pública. A campanha, originalmente feita para combater propina sistemática, paralisava o processo de formação de decisões do governo com frequência, e resultou na queda de dois presidentes – tornando Lâm um forte favorito na política do país.

E agora, segundo apurações da Reuters, Bloomberg e BBC, Lâm pode estar mirando consolidar as posições de secretário geral do partido comunista e de presidente do país.

O Vietnã é a economia que cresce mais rápido em sua região, crescendo consistentemente na casa dos 6% ao ano por décadas, devido a mais de 40 anos de reformas. E agora, Lâm busca atingir os 10% de crescimento por ano. Buscando emular o modelo de sucesso econômico chinês, o país se tornou uma grande economia baseada em exportações – mesmo com as intensas guerras tarifárias de Trump, o país asiático segue quebrando recordes em suas exportações para os EUA.

Com apenas um partido, o Vietnã também é capaz de oferecer uma preciosa consistência política que dá continuidade a um cenário favorável ao investimento direto estrangeiro, o que atrai a atenção de grandes firmas, especialmente companhias interessadas em mover suas cadeias de produção para fora da China.

 

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