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Eles abrem o caminho verde

Um grupo de empreendedores brasileiros já vê nos negócios verdes uma via de inovação, de aproximação com um mercado nascente e crescente, uma realização ideológica e - sobretudo - um modo de fazer dinheiro.

José Luiz Majolo, sócio-diretor da TerpenOil (.)

José Luiz Majolo, sócio-diretor da TerpenOil (.)

DR

Da Redação

Publicado em 10 de outubro de 2010 às 04h11.

Embora empreendedores ainda tenham muito o que provar no presente e no futuro, alguns deles começam a prosperar com iniciativas que vão do uso da biotecnologia para a limpeza de resíduos à produção de cosméticos orgânicos

José Luiz Majolo - Sócio-diretor da TerpenOil, fabricante de produtos de limpeza orgânicos e biodegradáveis.

Depois de trabalhar por 35 anos em instituições financeiras, os últimos cinco deles como vice-presidente do banco ABN Amro Real, o administrador paulista José Luiz Majolo, de 53 anos, enfrenta hoje o desafio de fazer decolar uma pequena empresa. A TerpenOil foi criada em fevereiro de 2007 com o propósito de fabricar produtos de limpeza orgânicos e biodegradáveis à base de terpeno, substância natural extraída de árvores como o pinus e de frutas cítricas, como a laranja e o limão.

Em setembro de 2006, quando saiu do banco, Majolo abriu uma pousada no interior de São Paulo. Como a idéia era adotar ali uma série de princípios de sustentabilidade, ele saiu em busca de produtos de limpeza menos nocivos ao meio ambiente. Acabou conhecendo o químico Maurício Castro, que vendia detergentes à base de terpeno, mas que estava prestes a desistir do negócio por falta de recursos para crescer. Majolo propôs sociedade a Castro, e hoje a TerpenOil vende produtos de limpeza orgânicos para empresas como Whirlpool, hospital Albert Einstein e Acument. Seu faturamento em 2008 deve chegar a 5 milhões de reais. Segundo Majolo, as receitas podem alcançar 60 milhões de reais nos próximos três anos - impulsionadas não apenas pelas vendas no mercado interno mas também pelas exportações. No início de março, uma empresa responsável pela manutenção do metrô de Paris começou a testar um dos produtos da TerpenOil na limpeza de pichações. Apesar do apelo verde, Majolo tem uma visão pragmática do negócio. "Preciso oferecer preço e qualidade", afirma. "Nenhum consumidor está disposto a pagar apenas por um benefício ambiental."

    <hr>                                   <p class="pagina"><strong>Luiz Chacon Filho</strong> -Presidente da SuperBac, empresa especializada em biotecnologia para tratamento de resíduos.<br><br>O negócio criado pelo administrador paulista Luiz Chacon Filho parece saído de um filme de ficção científica. Aos 33 anos de idade, Chacon ganha dinheiro com bactérias. Sua empresa, a SuperBac, desenvolve e seleciona bactérias que podem ser usadas para eliminar os mais diferentes tipos de resíduo. Nas fábricas da Natura, da Unilever e da Coca-Cola, a tecnologia de Chacon é utilizada para acelerar o funcionamento das estações de tratamento de efluentes e eliminar odores. Em 2006, a americana JohnsonDiversey, maior empresa de limpeza institucional do mundo, fechou um acordo com a SuperBac para o desenvolvimento de uma linha de produtos exclusiva - um deles é o BioBox, composto de cubos de bactérias usados para dar fim ao material orgânico de caixas de gordura e fossas sépticas de estabelecimentos comerciais. "Foi nosso grande salto até agora", diz Chacon, que criou a empresa há mais de uma década. Hoje, toda a produção vem de uma fábrica que a SuperBac mantém nos Estados Unidos.<br><br>O crescimento do negócio chamou a atenção de instituições financeiras. Há cerca de dois anos, o banco Sofisa adquiriu 15% do capital da SuperBac. Em dezembro de 2007, o banco português Espírito Santo, por meio de um fundo criado para investir em inovações tecnológicas, comprou 12% da empresa, por 12 milhões de reais. O capital será usado na melhoria da gestão da SuperBac, que deve fechar 2008 com faturamento de 13 milhões de reais. "Estamos crescendo a um ritmo alucinante e precisamos nos preparar para uma nova etapa", afirma Chacon, que até o final do ano promete anunciar o desenvolvimento de mais linhas exclusivas para outras cinco grandes empresas brasileiras e internacionais. </p>        <hr>                                                              <p class="pagina"><strong>Rodrigo Derdyk</strong> - Diretor da Nemus, especializada no plantio de florestas de teca e eucalipto.<br><br>Recentemente, o Brasil se transformou num dos alvos de um movimento que tende a crescer: o da busca dos investidores estrangeiros por florestas plantadas. Seduzidos pelas grandes extensões de terra disponíveis, condições climáticas favoráveis e alta tecnologia, eles devem injetar 2 bilhões de dólares no país nos próximos cinco anos. Desse montante, cerca de 150 milhões de dólares já têm dono. Eles pertencem à Nemus, pequena empresa com sede em Cuiabá, em Mato Grosso, que, ao se especializar no plantio da teca e do eucalipto para a indústria moveleira, conseguiu atrair como sócio o fundo de investimento europeu Phaunos.<br><br>Hoje, a Nemus possui 2 530 hectares de florestas de teca e de eucalipto. Com os recursos do fundo, que serão investidos nos próximos dois anos, essa área será multiplicada por 15. A teca é hoje matéria-prima para móveis de alto padrão, vendidos na Ásia e na Europa, e o valor do metro cúbico pode chegar a 3 000 dólares no mercado internacional - o mogno, principal concorrente, custa 30% menos. Mas não é só o crescente preço da madeira, impulsionado pelo consumo de países como China e Índia, que desperta o interesse dos investidores. "Há oportunidade de outros ganhos", diz o administrador paulista Rodrigo Derdyk, que, com apenas 26 anos,é o principal executivo da Nemus. Explica-se: as florestas captam gás carbônico e, no futuro, poderão render créditos de carbono.</p>        <hr>                                                  <p class="pagina"><strong>Fernando Lima</strong> - Presidente da Florestas, fabricante de cosméticos orgânicos.<br><br>Os últimos dias foram de comemoração para o paulista Fernando Lima, de 41 anos. O motivo é que os cosméticos orgânicos da Florestas, empresa que ele criou em 2003, começaram a ser vendidos nos Estados Unidos em todas as 265 lojas da Whole Foods, maior cadeia de varejo de produtos orgânicos do mundo. Feitos à base de espécies brasileiras, como açaí e andiroba, os cosméticos de Lima estavam desde 2006 nas gôndolas da Whole Foods, mas ficavam até então restritos a apenas 70 lojas. Graças a essa expansão, o faturamento anual da Florestas deve passar de 300 000 para 1 milhão de dólares.<br><br>Economista, Lima trabalhou no Unibanco, no Citibank e no banco Safra, instituição que há quase sete anos o transferiu para os Estados Unidos. Ainda hoje ele mora no país, onde concilia o trabalho de executivo em um banco de investimento com a gestão da Florestas - tarefa complicada sobretudo porque a fábrica está localizada em Guarulhos, na Grande São Paulo, e todas as matérias-primas para seus produtos são compradas de cooperativas de pequenos produtores rurais em estados como Amazonas e Mato Grosso. "Aproveito a diferença de fuso horário para resolver os assuntos mais urgentes do Brasil logo nas primeiras horas da manhã", diz ele. Lima justifica o esforço com a perspectiva de futuro que enxerga. O mercado de cosméticos orgânicos cresce mais de 20% ao ano em países como França e Estados Unidos. A prova mais recente do charme desse mercado foi dada em novembro do ano passado, quando a multinacional Clorox investiu 913 milhões de dólares na aquisição da americana Burt's Bees, que faturou 164 milhões de dólares em 2007 com produtos de beleza à base de mel. </p>         <hr>                                                     <p class="pagina"><strong>Wladimir Kudrjawzew</strong> - Presidente da Wisewood, fabricante de “madeira plástica”.<br><br>Cerca de 1 000 toneladas de embalagens de plástico deixarão de ir para lixões e aterros sanitários todos os meses a partir de junho. O destino delas será a cidade de Itatiba, no interior de São Paulo.Lá funciona a fábrica da Wisewood, empresa criada há menos de um ano para transformar esse lixo em dormentes para trilhos de trem e cruzetas para postes de luz. A idéia de produzir o que o mercado batizou de "madeira plástica" foi do paulista Wladimir Kudrjawzew, de 44 anos. Engenheiro aeronáutico, ele pesquisa o reaproveitamento dos resíduos de plástico há oito anos, em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro.<br><br>Por meio de um conhecido, Kudrjawzew conseguiu mostrar o plano de negócios da Wisewood a Rogério Igel, um dos acionistas do grupo Ultra. Igel investiu 8 milhões de reais para se tornar sócio da empresa e fazer com que ela saísse do papel. Outros 12,5 milhões vieram de um financiamento do BNDES. A fábrica da Wisewood começou a funcionar neste mês, e a expectativa é que a empresa fature 60 milhões de reais em 2009. Entre os clientes potenciais estão empresas de distribuição de energia, de logística e mineradoras, como a Vale, que compra cerca de 1 milhão de dormentes de madeira por ano para suas ferrovias. O produto de plástico custará, em média, quatro vezes mais que o de madeira, mas tem vida útil de cerca de 50 anos, ante 15 da do tradicional. "O ganho ambiental é incomparável", diz Kudrjawzew.</p>        <hr>                                                    <p class="pagina"><strong>Cláudio Bastos</strong> - Presidente da CBPAK, fabricante de embalagens biodegradáveis feitas à base de amido de mandioca.<br><br>Sempre que olha para uma lata de lixo, o engenheiro Cláudio Bastos diz ficar arrepiado. "Sempre penso em quanto a sociedade vai precisar gastar para se livrar de tantos resíduos", afirma ele. Decidido a criar algo que pudesse resolver parte do problema, em 2002 ele fundou a CBPAK. Localizada em São Carlos, no interior de São Paulo, a empresa nasceu com o objetivo de fabricar embalagens com uma fonte renovável: o amido de mandioca.<br><br>Até o início de 2008, porém, a empresa ficou parada - os recursos necessários para colocar a fábrica em funcionamento só vieram no final do ano passado, quando o BNDESPar passou a ter participação de 35% na empresa e, em troca, não só fez um aporte de 2 milhões de reais como concedeu uma linha de crédito no valor de 2,3 milhões de reais para a compra de máquinas. Dada a largada, a estimativa de Bastos é que o faturamento da CBPAK chegue a 10 milhões de reais em 2013 só com as vendas no mercado doméstico. O prognóstico baseia-se na crença de que a pressão dos consumidores pelo uso de embalagens ecologicamente corretas vai se acirrar e obrigará as empresas a adotar produtos como o seu. Atualmente, bandejinhas da CBPAK para frutas e legumes já estão sendo testadas pela subsidiária brasileira do Wal-Mart, varejista que vem buscando uma saída para se livrar do isopor, material que tem um processo de reciclagem complexo e oneroso.</p>        
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