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Dorian deixa 43 mortos e milhares de desabrigados nas Bahamas

Furacão de categoria máxima (5) deixou ainda centenas de desaparecidos, pessoas a procura de água e alimentos e um rastro de destruição

Bahamas: milhares estão desabrigados após passagem do furacão (Marco Bello/Reuters)

Bahamas: milhares estão desabrigados após passagem do furacão (Marco Bello/Reuters)

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AFP

Publicado em 7 de setembro de 2019 às 09h56.

O furacão Dorian matou ao menos 43 pessoas nas Bahamas, onde deixou um rastro de devastação e milhares de desabrigados a procura de água e alimentos, informaram as autoridades locais na sexta-feira, 6.

Dorian, que varreu as Bahamas como furacão de categoria máxima (5), deixou ainda centenas de desaparecidos e o número de óbitos deve aumentar nas próximas horas, a medida em que avançam os trabalhos de resgate.

O primeiro-ministro das Bahamas, Hubert Minnis, lamentou a "devastação geracional" causada pelo Dorian.

Sobre o número final de mortos, declarou: "Deixe-me dizer que acho que será chocante".

Funcionários de funerárias e de necrotérios foram enviados para a região para ajudar as autoridades, informou o ministro da Saúde, Duane Sands, à mídia local.

Uma equipe da AFP que sobrevoou a cidade de Marsh Harbour, na ilha de Great Abaco, na quinta-feira, viu cenas de danos catastróficos, centenas de casas destruídas, carros derrubados, campos inteiros de escombros e inundações generalizadas.

Milhares estão desabrigados nas Bahamas e as Nações Unidas disseram que 70.000 precisam de ajuda imediata.

Um primeiro grupo de habitantes da ilha Ábaco, integrado por 260 pessoas, chegou a Nassau na noite desta sexta-feira, a bordo de um ferry fretado pelo governo, constatou a AFP no local.

Outro ferry com moradores de Ábaco deve chegar a Nassau nas próximas horas.

Melanie Lowe, que chegou no ferry com seus quatro filhos e um cachorro, explicou que sua casa ficou parcialmente destruída. "Estou feliz por ter uma boa noite de sono, um banho e o que comer".

Lowe encontrou um lugar para dormir em Nassau e não irá para o abrigo montado em um ginásio pelo governo local, que recebeu cerca de 200 evacuados nesta sexta.

O Centro Nacional de Furacões (NHC, na sigla em inglês), com sede em Miami, rebaixou Dorian para a categoria 1 nesta sexta-feira, quando chegou a Outer Banks, uma cadeia de ilhas na costa da Carolina do Norte.

Segundo o NHC, Dorian tocou a terra no Cabo Hatteras, nos Outer Banks.

Milhares de residentes dos Estados Unidos, da Flórida à Virgínia, temiam o pior com a passagem de Dorian, mas a costa escapou ilesa em grande medida.

Às 21H00 GMT, Dorian se deslocava em direção à costa atlântica a 39 km/h, e pode atingir com fortes ventos o Canadá.

Dorian deve se mover ao sul da Nova Inglaterra na madrugada e pela manhã deste sábado, atravessando em seguida a Nova Escócia.

"Inferno por todo o lado"

O lento e monstruoso furacão também castigou a costa da Carolina do Sul e inundou a histórica cidade de Charleston, mas não há informes de vítimas.

Muitos moradores das zonas costeiras das Carolinas do Norte e do Sul acataram as ordens de evacuação, enquanto outros protegeram suas casas com tábuas.

No Twitter, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que conversou com os governadores das Carolinas do Norte e do Sul, garantindo-lhes que está "pronto para ajudar".

A extensão dos danos no norte das Bahamas começou a ser conhecida ontem, à medida que as equipes de socorro conseguiam percorrer a área para resgatar sobreviventes e levar ajuda às vítimas.

"É um inferno por toda a parte", desabafou Brian Harvey, um canadense de Montreal, em entrevista à AFP em Gran Ábaco. "Estava no meu veleiro (...) Perdi tudo", completou.

"Precisamos sair daqui", acrescentou. "Foram quatro, ou cinco dias. É hora de mudar, sair daqui", completou.

Steven Turnquest, que chegou à capital das Bahamas, Nassau, de Marsh Harbour, com seus filhos de quatro e sete anos, disse estar grato por estar vivo.

"Sobrevivi ao furacão agarrado a uma porta", contou.

Em meio ao temor de que criminosos se aproveitem do caos na zona devastada, o primeiro-ministro Minnis advertiu que qualquer saqueador será castigado "com todo o peso da lei" e afirmou que foram enviados agentes extras das forças de segurança.

Helicópteros americanos e britânicos fizeram evacuações médicas, avaliações aéreas para ajudar a coordenar os esforços de socorro e voos de reconhecimento para conhecer os danos.

A Guarda Costeira dos Estados Unidos resgatou 201 pessoas nas Bahamas até quinta-feira.

O Programa Mundial de Alimentos da ONU anunciou que há oito toneladas de comida prontas para serem enviadas para as Bahamas.

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