Redação Exame
Publicado em 12 de janeiro de 2026 às 12h22.
A Justiça do cantão de Valais determinou nesta segunda-feira, 12, a prisão preventiva por três meses de Jacques Moretti, coproprietário do bar Le Constellation, onde um incêndio na véspera de Ano Novo matou 40 jovens na estação alpina de Crans-Montana, na Suíça.
A decisão foi tomada pelo Tribunal de Medidas Coercitivas do cantão, que apontou risco de fuga como justificativa para a medida. Segundo o órgão, existe a possibilidade de libertação sob fiança em um momento posterior, caso o Ministério Público considere apropriado, mas, até lá, Moretti permanecerá detido.
Moretti foi preso ao final de uma audiência convocada pelo Ministério Público, responsável pela investigação aberta após a tragédia. Sua esposa, Jessica Moretti, também coproprietária do bar, prestou depoimento, mas foi liberada após a sessão.
O casal é investigado por suspeita de homicídio, incêndio e lesões corporais por negligência. No incêndio, além das 40 mortes, 116 pessoas ficaram feridas — a maioria com queimaduras graves. Metade das vítimas fatais era menor de idade.
De acordo com as evidências reunidas até o momento, o fogo começou após faíscas de fogos de artifício presos a garrafas atingirem a espuma de isolamento acústico instalada no teto do bar. O material inflamável teria provocado a rápida propagação das chamas pelo local.
Autoridades da Suíça afirmaram na última semana, que as inspeções periódicas de segurança no bar não eram realizadas há cinco anos.
"Não foram efetuadas inspeções periódicas entre 2020 e 2025. Lamentamos profundamente", disse Nicolas Feraud, prefeito de Crans-Montana, cinco dias após a tragédia no bar Le Constellation.
Em comunicado, a Prefeitura informou que havia revisado todos os documentos enviados à Procuradoria do Cantão de Valais após o incêndio. Garantiu que os documentos detalham os "procedimentos administrativos sobre a conformidade do estabelecimento".
"Embora somente em 2025 tenham sido realizadas mais de 1.400 inspeções de incêndio no município, o conselho municipal lamenta profundamente descobrir que este estabelecimento não foi submetido às inspeções periódicas entre 2020 e 2025", acrescentou.
*Com informações da EFE