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Democratas participam de debate unidos contra Trump

Democratas também discutiram a origem do processo de impeachment contra Trump e criticaram política externa do presidente

Pré-candidatos democratas: unidos para atacar a política externa de Donald Trump (Aaron Josefcz/File Photo/Reuters)

Pré-candidatos democratas: unidos para atacar a política externa de Donald Trump (Aaron Josefcz/File Photo/Reuters)

A
AFP

16 de outubro de 2019, 08h18

Os pré-candidatos democratas à presidência dos EUA abriram seu debate desta terça-feira unidos contra o presidente republicano, Donald Trump, e a favor dos esforços do Congresso visando seu impeachment.

No quarto debate democrata visando a eleição de 2020, o ex-vice-presidente Joe Biden chamou Trump de "o presidente mais corrupto da história dos Estados Unidos".

Biden lidera as pesquisas entre os democratas, com 29,4%, seguido de perto pela senadora por Massachusetts Elizabeth Warren, com 23,4%.

"O processo de impeachment deve continuar", disse Warren, advertindo que Trump "não pode violar a lei sem consequências".

Na terceira posição na corrida democrata, com 15,6%, está o senador progressista Bernie Sanders, que criticou o atual sistema de saúde, qualificado de "disfuncional" e "cruel".

"A questão é se o Partido Democrata terá coragem para enfrentar a indústria da saúde", disse Sanders com voz rouca, após sofrer um infarto no início do mês.

Para muitos candidatos na parte de baixo das pesquisas, como a senadora Kamala Harris e o ex-congressista Beto O'Rourke, o debate é uma oportunidade para confirmar que seguem na corrida, no momento em que os políticos e a imprensa estão concentrados no caso ucraniano e no impeachment de Trump.

Mas a corrida democrata é longa e os primeiros estados a votar nas primárias são a chave da vitória.

Em Iowa, estado que abrirá as primárias no dia 3 de fevereiro de 2020, Warren lidera com 22,7% das intenções de voto, seguida por Biden, com 19,3%, e Sanders, 16%.

Impeachment de Trump

Os democratas também discutiram a origem do processo de impeachment contra Trump: o pedido do presidente para o governo da Ucrânia investigar Hunter Biden, que trabalhou para a empresa de gás ucraniana Burisma quando seu pai, Joe Biden, era vice-presidente, o que seria um conflito de interesses.

"Meu filho não fez nada de errado", declarou Biden.

Os colegas de partido também afirmaram que estão acumulando provas para o impeachment do presidente americano Donald Trump em uma série de audiências legislativas, apesar da reiterada recusa da Casa Branca a cooperar com a investigação.

Enquanto a Casa Branca e o advogado pessoal do presidente, Rudy Giuliani, se recusam a enviar ao Congresso documentos sobre o caso ucraniano, o legislador que comanda a investigação na Câmara de Representantes, Adam chiff, disse que cinco testemunhas confirmaram as acusações de abuso de poder que poderia justificar o início do julgamento político de Trump.

Os democratas da Câmara de Representantes avançam na investigação para determinar se Trump abusou de sua posição durante a ligação telefônica de 25 de julho em que pediu para o colega ucraniano Volodimir Zelenski investigar o democrata Joe Biden, um seu potencial adversário na eleição de 2020.

"Fizemos um avanço importante com respostas a várias perguntas sobre a ligação de julho, na qual o presidente dos Estados Unidos tentou coagir um aliado vulnerável a conduzir o que pode ser descrito como um simulacro de investigação de seu oponente", declarou Schiff, presidente do Comitê de Inteligência da Câmara de Representante.

"Houve muito trabalho de preparação antes da ligação e aconteceram muitas atividades de acompanhamento depois", completou.

Schiff disse que a investigação ainda está obtendo "boas e importantes informações de testemunhas corajosas", uma referência particular à audiência de segunda-feira a portas fechadas da diplomata Fiona Hill, que foi assessor da Casa Branca para Ucrânia e Rússia até o verão passado.

Hill afirmou em um depoimento de 10 horas que Giuliani executava uma política externa oculta para beneficiar pessoalmente o presidente, segundo a imprensa americana.

O jornal New York Times informou que Hill declarou que seu então chefe, o ex-conselheiro de Segurança Nacional John Bolton, advertiu que Giuliani era "uma granada de mão" que "explodiria a todos".

Bolton, demitido em setembro, supostamente comparou os esforços do advogado do presidente e do chefe de gabinete interino da Casa Branca, Mick Mulvaney, com as "ações de narcotraficantes", segundo Hill.

Os democratas estão convencidos de que Rudy Giuliani estabeleceu as "bases" para a ligação telefônica entre Trump e o presidente ucraniano.

Donald Trump, que repete que a conversa com Zelenski foi "perfeita", criticou na terça-feira a investigação, depois que os democratas interrogaram um funcionário do Departamento de Estado especializado na Ucrânia.