Delcy Rodríguez toma posse como presidente interina da Venezuela nesta segunda-feira ( JUAN BARRETO/Getty Images)
Repórter
Publicado em 5 de janeiro de 2026 às 16h19.
Última atualização em 5 de janeiro de 2026 às 16h39.
A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, assumiu a presidência interina do país nesta segunda-feira, 5 de janeiro, em uma cerimônia na Assembleia Nacional.
O juramento de Delcy foi presidido por Jorge Rodríguez, irmão da presidente interina. O filho de Nicolás Maduro, Nicolás Maduro Guerra, também estava presente no evento.
A posse ocorre dois dias após a prisão do presidente deposto Nicolás Maduro, detido junto com a esposa Cilia Flores pelas autoridades dos Estados Unidos em Caracas, na madrugada deste sábado.
Em seu discurso durante a cerimônia, Delcy Rodríguez afirmou que assume o cargo com "dor, mas com honra".
Também tomaram posse 283 parlamentares eleitos em maio de 2025, segundo informações da agência Reuters. A única parlamentar ausente foi a primeira-dama Cilia Flores, que está sob custódia do governo de Donald Trump.
Delcy Rodríguez, de 56 anos, nasceu em Caracas e é filha de Jorge Antonio Rodríguez, militante e fundador da Liga Socialista, partido revolucionário ativo na década de 1970. Formada em Direito pela Universidade Central da Venezuela, ela integrou a base política do chavismo nas últimas décadas e ganhou protagonismo a partir de 2013.
Assumiu o Ministério da Comunicação e Informação entre 2013 e 2014. No ano seguinte, foi nomeada ministra das Relações Exteriores, cargo que ocupou até 2017, período em que tentou impedir a suspensão da Venezuela do Mercosul por meio de ações diplomáticas e jurídicas.
Com perfil técnico e atuação contínua no núcleo do governo, Rodríguez acumulou pastas estratégicas como os ministérios da Fazenda e do Petróleo, ao mesmo tempo, em que ocupava a vice-presidência da República. Tornou-se peça central na formulação de medidas econômicas e interlocutora relevante junto ao setor privado, apesar da crise prolongada. Defende políticas de matriz ortodoxa no combate à inflação e na recuperação de reservas cambiais.
No mesmo ano em que deixou o Itamaraty venezuelano, foi nomeada presidente da Assembleia Constituinte, órgão que ampliou os poderes do Executivo e consolidou o controle institucional do governo. Desde então, mantém atuação próxima ao irmão, Jorge Rodríguez, atual presidente da Assembleia Nacional.
Quando a indicou à vice-presidência, em 2018, Maduro declarou: “uma jovem mulher, corajosa, experiente, filha de um mártir, revolucionária e testada em mil batalhas.”
Os Estados Unidos invadiram a Venezuela na madrugada deste sábado, 3, e capturaram o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, em uma operação militar de grande escala que incluiu bombardeios em Caracas e em regiões estratégicas do país.
A ação, confirmada pelo presidente americano Donald Trump, levou o líder chavista para uma prisão nos Estados Unidos sob acusações de narcoterrorismo e abriu uma crise sem precedentes recentes na América do Sul, com impactos diretos sobre a soberania venezuelana, o equilíbrio regional, o mercado global de petróleo e a arquitetura de segurança internacional.
Os Estados Unidos afirmam ter realizado um ataque em larga escala contra a Venezuela, com bombardeios em Caracas e em estados estratégicos como Miranda, La Guaira e Aragua. Segundo Washington, a ofensiva derrubou sistemas de energia e alvos militares antes da captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.
Maduro foi capturando antes de entrar em um bunker, retirado do país e levado para os Estados Unidos, onde está preso no Metropolitan Detention Center, no Brooklyn. Ele é acusado de narcoterrorismo e tráfico internacional de cocaína e deverá responder a processos em tribunais de Nova York. Autoridades venezuelanas afirmam que integrantes da equipe de segurança presidencial foram mortos durante a operação.
A ação foi conduzida, segundo a imprensa americana, por militares da Delta Force, unidade de elite do Exército dos EUA.
Após a operação, Trump apresentou o que chamou de “Doutrina Donroe”, em referência direta à Doutrina Monroe, ao afirmar que o hemisfério ocidental estaria sob responsabilidade de Washington. O presidente dos EUA disse que a ofensiva representa uma nova estratégia de intervenção regional e afirmou que novas ações militares não estão descartadas.
Trump declarou que as Forças Armadas americanas permanecem prontas para um segundo ataque caso o novo comando venezuelano “não se comporte”. O presidente também fez advertências diretas a Colômbia e México, sugerindo que ambos enfrentam problemas ligados ao narcotráfico e poderiam ser alvo de iniciativas semelhantes.
(Com informações da AFP)