Groenlândia: território estratégico no Ártico volta ao centro da disputa geopolítica (Jim Watson/AFP)
Repórter
Publicado em 12 de janeiro de 2026 às 09h38.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste domingo, 11, que o país tomará a Groenlândia “de um jeito ou de outro” para impedir que Rússia ou China ampliem sua influência sobre a ilha, território autônomo ligado à Dinamarca.
Trump disse a jornalistas a bordo do Air Force One que o controle da Groenlândia é essencial para a segurança nacional americana, citando o aumento da presença militar russa e chinesa no Ártico.
“Se não tomarmos a Groenlândia, a Rússia ou a China o farão, e eu não vou deixar isso acontecer”, afirmou o presidente, apesar de nenhum dos dois países reivindicar formalmente a ilha.
Segundo Trump, Washington estaria disposto a negociar com o território autônomo dinamarquês, mas deixou claro que o objetivo final permanece inalterado. “Mas de um jeito ou de outro, teremos a Groenlândia”, disse.
As declarações provocaram reação imediata da Dinamarca e de aliados europeus, que demonstraram surpresa com o tom adotado por Trump. A Groenlândia é considerada estratégica por sua posição entre a América do Norte e o Ártico, além de abrigar uma base militar dos Estados Unidos desde o fim da Segunda Guerra Mundial.
A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, afirmou na semana passada que qualquer tentativa americana de tomar a ilha pela força colocaria em risco cerca de 80 anos de cooperação em segurança transatlântica.
Trump minimizou o alerta. “Se [o gesto] afetar a Otan, então afeta a Otan. Mas já sabem, [a Groenlândia] precisa muito mais de nós do que nós precisamos deles”, disse.
Colônia da Dinamarca até 1953, a Groenlândia obteve autonomia 26 anos depois e discute, internamente, a possibilidade de reduzir seus vínculos com Copenhague. Ainda assim, a maioria da população e dos partidos políticos locais rejeita a ideia de integração aos Estados Unidos e defende que o futuro do território seja decidido pelos próprios habitantes.
Trump voltou a usar um tom irônico ao falar da defesa local. “A Groenlândia deveria fazer um acordo, porque a Groenlândia não quer ver a Rússia ou a China assumirem o controle”, afirmou, antes de zombar da capacidade militar do território.
“Sabe qual é a defesa deles? Dois trenós puxados por cães”, disse, acrescentando que Rússia e China têm “destróieres e submarinos por toda parte”.
*Com informações da AFP