"Crise pode deixar uma geração sem trabalho", diz papa

Pontífice advertiu que crise mundial causa muitos prejuízos aos jovens, em reunião com jornalistas durante voo que o traz ao Rio de Janeiro

O papa Francisco advertiu nesta segunda-feira que a crise mundial está causando muitos prejuízos aos jovens e que se corre o risco de que haja uma geração que nunca teve trabalho.

A bordo do avião que o leva de Roma ao Rio de Janeiro por ocasião da XXVIII Jornada Mundial da Juventude (JMJ), Francisco se reuniu com os jornalistas de todo o mundo que o acompanham no voo.

"Esta primeira viagem é para encontrar os jovens, que quero encontrar não isoladamente, mas no meio do tecido social. Em sociedade, já que quando isolamos os jovens lhes fazemos uma injustiça pois lhes tiramos a (sensação de) pertinência", acrescentou o papa.

Francisco acrescentou que "os jovens pertencem a uma família, uma pátria, uma cultura e uma fé e é preciso manter essa pertinência. Eles são o futuro de um povo, porque têm a força, a juventude e vão adiante", e lembrou que "no outro extremo da vida, estão os idosos".

"Um povo tem futuro se caminha para frente, com os jovens, com a força que têm e também com os idosos, porque eles são a sabedoria da vida", disse o papa argentino, que ressaltou "como muitas vezes se comete a injustiça de deixar de lado os idosos ao pensar que não têm nada para nos dar, mas eles têm a sabedoria da vida, a história da família e da pátria".

Por isso, explicou que quer encontrar os jovens "em seu tecido social, ou seja, também com os idosos".

O papa afirmou que é verdade que a crise mundial "não faz coisas boas aos jovens" e comentou como na semana passada foi informado da "porcentagem de jovens sem trabalho".


"Corremos o risco de ter uma aceleração de uma geração que nunca teve trabalho e do trabalho vem a dignidade da pessoa, que é o poder de ganhar o pão", ressaltou o papa Francisco.

Além disso, o pontífice acrescentou "que infelizmente, estamos acostumados nesta sociedade atual à cultura do desperdício" e explicou que "com os idosos se pratica essa cultura, e que agora também está se fazendo (isso) com os jovens que não têm trabalho".

"É preciso acabar com esta cultura e trocá-la pela cultura da inclusão e do encontro. É preciso fazer um esforço para chegar a todos, à sociedade, e este é o sentido da minha visita: levar os jovens à sociedade", disse.

Em nome dos mais de 70 jornalistas que viajam no voo papal, a jornalista mexicana Valentina Alazraki, a mais velha dos repórteres a bordo, agradeceu ao papa por suas palavras e depois disse: "sabemos que os jornalistas não somos santos de sua devoção, mas também não somos tão ferozes" e lhe entregou em nome de todos uma estátua de Nossa Senhora de Guadalupe, padroeira da América, para que o acompanhasse durante a viagem.

Quando acabou o encontro com a imprensa, o papa pediu aos jornalistas que o ajudassem "para o bem da sociedade, dos jovens e dos idosos".

E lembrando o profeta Daniel e em referência aos jornalistas brincou: "Vi os leões, mas não são tão ferozes".

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