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Coreia do Norte reconhece primeiro surto de covid e decreta confinamento

Analistas acreditam que a Coreia do Norte não vacinou nenhum de seus 25 milhões de habitantes depois de rejeitar as ofertas de doses da OMS, da China e da Rússia
Líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un (AFP/FP PHOTO/KCNA VIA KNS)
Líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un (AFP/FP PHOTO/KCNA VIA KNS)
Por AFPPublicado em 12/05/2022 11:14 | Última atualização em 12/05/2022 11:14Tempo de Leitura: 3 min de leitura

A Coreia do Norte reconheceu nesta quinta-feira seu primeiro surto de covid-19 no país desde o início da pandemia e declarou uma "grave emergência nacional", o que levou Kim Jong Un a ordenar o confinamento em todo o país.

Até agora, a empobrecida nação - mas com armamento nuclear - não havia admitido nenhum caso de coronavírus. O país decretou no início de 2020 um bloqueio severo com o exterior, o que derrubou sua economia e comércio.

A agência oficial de notícias KCNA informou que as amostras coletadas de vários pacientes doentes com febre em Pyongyang no domingo eram "consistentes" com a altamente contagiosa variante ômicron do coronavírus.

De acordo com a agência, o líder norte-coreano Kim Jong Un convocou uma reunião de emergência de seu gabinete político e anunciou que implementaria um sistema de controle do vírus de "emergência máxima" com o objetivo de "eliminar a raiz no menor tempo possível".

Kim "ordenou a todas as cidades e municípios do país que adotem o confinamento cuidadoso em suas áreas", afirmou a KCNA. Fábricas, estabelecimentos comerciais e residências devem permanecer fechados e reorganizados para "bloquear de maneira impecável a propagação do vírus maligno", insistiu a agência estatal.

Kim "garantiu que, devido ao alto nível de conscientização política da população, (...) superaremos com toda segurança a emergência e teremos êxito com o plano de quarentena de emergência", acrescentou.

O comunicado pouco transparente não revela quantos casos foram detectados no país.

"Para que Pyongyang admita publicamente casos de ômicron, a situação de saúde pública deve ser grave", disse o professor Leif-Eric Easley da Universidade Ewha de Seul.

"Pyongyang provavelmente vai insistir com os confinamentos, apesar do fracasso da estratégia covid zero da China sugerir que esta abordagem não funciona com a variante ômicron", acrescentou.

Sem vacinas?

Analistas acreditam que a Coreia do Norte não vacinou nenhum de seus 25 milhões de habitantes depois de rejeitar as ofertas de doses da Organização Mundial da Saúde (OMS), da China e da Rússia.

Também consideram que o deficiente sistema de saúde do país isolado enfrentaria muitas dificuldades para enfrentar um grande surto de covid-19.

A Coreia do Norte fica próxima de países que enfrentaram ou ainda enfrentam surtos da variante ômicron, como Coreia do Sul e China, onde várias cidades estão em confinamento severo há várias semanas.

A publicação NK News, especializada em temas norte-coreanos e que tem sede em Seul, afirmou que algumas áreas de Pyonyang estão em confinamento há dois dias.

"Várias fontes ouviram relatos de compras de pânico devido à incerteza de quando o confinamento terminará", destacou a publicação.
Ao que tudo indica, a Coreia do Norte tentará evitar as medidas extremas da China, como "encarcerar virtualmente seus habitantes em apartamentos", disse Cheong Seong-chang, do Instituto Sejong.

"Porém, mesmo os confinamentos mais limitados provocarão uma grave escassez de comida e o mesmo caos que a China enfrenta", afirmou.

Durante toda a pandemia, a Coreia do Norte expressou orgulho por sua declarada capacidade de manter o vírus fora de suas fronteiras. Em um desfile militar em 2020, Kim agradeceu aos cidadãos e aos militares por seus esforços.

Desde o início da pandemia, o país não havia confirmado nenhum caso ou morte por covid-19.

Embora a imprensa estatal tenha anunciado medidas de "prevenção da epidemia", em um grande desfile militar no mês passado na capital nenhum dos milhares de participantes usava máscara.

O surto da doença pode frear o programa armamentista do país, que executou 15 testes projéteis desde o início do ano, incluindo um míssil balístico intercontinental.