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COP30: Aumentar número de NDCs entregues é alta prioridade da França

Até agora, apenas 109 países apresentaram suas metas para reduzir emissões, uma etapa importante do Acordo de Paris

Pavilhão da França na COP30: país quer apoiar avanço do Acordo de Paris (Eduardo Frazão/Exame)

Pavilhão da França na COP30: país quer apoiar avanço do Acordo de Paris (Eduardo Frazão/Exame)

Rafael Balago
Rafael Balago

Repórter de internacional e economia

Publicado em 10 de novembro de 2025 às 16h10.

Última atualização em 10 de novembro de 2025 às 16h21.

Belém - A entrega de mais NDCs (Contribuições Nacionalmente Determinadas, na sigla em inglês) é uma das prioridades da diplomacia francesa para a COP30, que começou oficialmente nesta segunda-feira, 10.

"Quase 100 NDCs estão faltando, e elas são o coração do Acordo de Paris", disse um diplomata francês à EXAME. Ele pediu para não ser identificado.

"É uma alta prioridade para todos e será um dos desafios coletivos aqui no Brasil: receber todas as NDCs faltantes e então definir uma resposta coletiva", afirmou.

As NDCs são planos estabelecidos por cada governo, que listam quais medidas seus países tomarão para contribuir para a meta do Acordo de Paris, de conter o aquecimento global.

Até esta segunda, 10, apenas 109 países haviam entregue suas NDCs para 2035, enquanto mais de 190 países enviaram delegações para a COP30.

Os países haviam firmado um acordo para que as NDCs 3.0 (por serem a terceira revisão das propostas) fossem entregues até 4 de novembro, mas o prazo não foi cumprido por todos.

As nações que já entregaram suas NDCs correspondem a 74% das emissões planetárias e 59,2% da população global. Brasil, China, Estados Unidos e a União Europeia já apresentaram suas metas. Entre os países faltantes, estão Argentina, Arábia Saudita, Egito, Índia e México.

A União Europeia, por exemplo, comprometeu-se a reduzir 55% das suas emissões líquidas de gases de efeito estufa até 2030, em comparação com os níveis de 1990, e de 66,25% a 72,5% até 2035, com o objetivo de atingir a neutralidade de carbono em 2050.

Um estudo da entidade Climate Action Tracker, no entanto, aponta que apenas dois países entregaram propostas com alta probabilidade de conseguirem atingir a meta de conter o aquecimento em 1,5º C: Noruega e Reino Unido. O levantamento leva em conta diversas variáveis, como a quantidade atual de emissão de poluentes, a redução que foi feita nos últimos anos e os investimentos necessários para acelerar as mudanças e atingir os objetivos propostos.

Oceanos e multilateralismo

A delegação da França na COP também prioriza medidas para proteger os oceanos e descarbonizar o transporte marítimo. Além disso, o país quer criar áreas de proteção dos mares em várias partes do mundo.

"É fácil obter consenso sobre a natureza, oceanos e florestas, e é super necessário para atingirmos as metas de redução do aquecimento", diz o diplomata europeu.

A delegação francesa também tem participado dos debates para reduzir o uso de combustíveis fósseis, especialmente na redução de emissões de metano do setor de petróleo e gás.

O país também dá forte apoio ao Brasil na defesa do multilateralismo. "Podemos conseguir acordos e tratados e instrumentos obrigatórios sobre proteção ambiental. Cabe ao Brasil manter o espírito de proteger o multilateralismo e eles terão nosso apoio nisso.

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