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COP15 se reúne em Montreal com a missão de salvar a biodiversidade

A COP15 é o equivalente da biodiversidade à conferência de mudanças climáticas da ONU, que realizou sua 27ª edição no Egito até semana passada

Fauna e flora: cerca de 80% da biodiversidade mundial está em territórios controlados ou com presença indígena (AFP/AFP Photo)

Fauna e flora: cerca de 80% da biodiversidade mundial está em territórios controlados ou com presença indígena (AFP/AFP Photo)

A
AFP

1 de dezembro de 2022, 12h31

Delegados de quase 200 países iniciam, na próxima semana, uma conferência sobre biodiversidade, a COP15, em Montreal, para tentar alcançar um grande pacto global para preservar espécies animais e vegetais em meio às mudanças climáticas.

A COP15 é o equivalente da biodiversidade à conferência de mudanças climáticas da ONU (Organização das Nações Unidas), que realizou sua 27ª edição no Egito até a semana passada.

Apesar do sucesso limitado do histórico Acordo de Paris (2015) para deter o aquecimento global, os promotores da COP15 em Montreal aspiram imitar este grande pacto internacional.

Cientistas alertam que o ser humano deve repensar urgentemente sua relação com a natureza, antes que a exploração excessiva e a depredação acabem confirmando o que alguns temem: uma extinção em massa de espécies, a sexta na história do planeta.

"Nosso planeta está em crise", explicou Elizabeth Maruma Mrema, que preside a Convenção da ONU sobre Diversidade Biológica (CDB), em encontro com jornalistas antes do início das negociações.

Um acordo global seria "crucial para garantir que o futuro da humanidade seja sustentável", enfatizou.

As discussões, que deveriam ocorrer originalmente na China, estão dois anos atrasadas devido à pandemia de covid-19.

O objetivo é estabelecer uma série de compromissos e metas para a grande maioria dos países, com a notável exceção dos Estados Unidos, que decidiu não se comprometer com os resultados.

A comunidade internacional já havia estabelecido várias metas na última década, nenhuma alcançada.

E agora as negociações ficaram mais complicadas, com novas regras sobre poluição, pesticidas, proteção de áreas naturais ou agricultura.

Até agora, apenas dois pontos de uma lista provisória de 22 foram acertados antes de Montreal.

"É preciso admitir que o sucesso não é garantido", explicou uma fonte europeia próxima às discussões. "Temos um cenário muito difícil pela frente."

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Fundos

A China ainda preside a COP15, que acontecerá em Montreal, sede da CDB, de 7 a 19 de dezembro. 

Apenas o primeiro-ministro canadense Justin Trudeau confirmou sua presença. Isso contrasta com os quase 100 líderes mundiais que participaram na COP27 em Sharm el-Sheikh.

Assim como no caso do Egito, os fundos monopolizam boa parte das discussões.

O Brasil, apoiado por 22 países, incluindo África do Sul, Egito e Indonésia, exige que os países desenvolvidos forneçam pelo menos US$ 100 bilhões por ano até 2030 para proteger a biodiversidade.

Esse valor também foi prometido para combater as mudanças climáticas, supostamente a partir de 2020.

Os países desenvolvidos não querem criar uma nova linha de crédito ou de doações para a biodiversidade.

Outro tema polêmico é a "biopirataria", ou seja, o roubo de fórmulas e ingredientes naturais para o setor multibilionário farmacêutico e de cosméticos, sem que as comunidades indígenas que possuem esses recursos em seus territórios recebam sua parcela dos benefícios.

Participação indígena

Um dos poucos objetivos que recebeu amplo apoio é o chamado "30 por 30": o compromisso de proteger 30% da terra e dos mares até 2030.

Países como a Costa Rica já atingiram a meta.

Apenas 17% da terra e cerca de 7% dos oceanos estavam protegidos em 2020.

No momento, uma centena de países apoia formalmente o objetivo, segundo uma coalizão de países que tenta obter o apoio unânime de toda a comunidade internacional.

O comprometimento das comunidades indígenas com esse objetivo é fundamental, já que cerca de 80% da biodiversidade do planeta se encontra em suas terras.

"Não vai funcionar se os povos indígenas não estiverem totalmente engajados", declarou à AFP Jennifer Tauli Corpuz, da ONG Nia Tero.

Outros pontos da negociação são a eliminação ou redirecionamento de centenas de milhões de dólares em subsídios que prejudicam a biodiversidade, o apoio à pesca ou agricultura sustentável, a redução de agrotóxicos ou o reflorestamento.

"Precisamos de objetivos e prazos mensuráveis, com indicadores claros", explicou a fonte negociadora europeia. Isso implica "controles, planejamento e revisão rígidos".

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