Repórter
Publicado em 14 de julho de 2026 às 12h47.
A China rejeitou nesta terça-feira, 14, as acusações feitas por Estados Unidos e Paraguai de que agentes ligados ao governo chinês teriam invadido sistemas cibernéticos do governo paraguaio.
Pequim também acusou Washington de usar a segurança cibernética como instrumento político para desacreditar o país asiático.
Em entrevista coletiva, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, afirmou que os Estados Unidos utilizam denúncias de ataques hackers para atrair aliados e ampliar sua influência geopolítica na região.
"Esperamos que os países envolvidos não se tornem instrumentos da geopolítica americana nem cúmplices na disseminação de informações falsas sobre supostos ataques cibernéticos chineses", declarou.
Na última sexta-feira, os governos dos Estados Unidos e do Paraguai informaram que uma revisão conjunta de segurança cibernética identificou a atuação de múltiplos agentes de ameaça supostamente vinculados à China em sistemas do governo paraguaio.
Segundo o diretor-geral de Segurança Cibernética do Ministério de Tecnologias da Informação e Comunicação do Paraguai, Pedro Martínez, as atividades detectadas apresentam características compatíveis com grupos que, segundo ele, operam em favor do governo chinês.
Em resposta, Pequim afirmou que as conclusões foram precipitadas e reiterou que se opõe a ataques cibernéticos e ao uso de acusações sem provas para fins políticos.
O episódio ocorre em um momento de relações diplomáticas sensíveis entre China e Paraguai. O país sul-americano é o único da América do Sul que mantém relações diplomáticas oficiais com Taiwan, ilha autogovernada reivindicada por Pequim como parte de seu território.
Em setembro de 2024, Estados Unidos e Paraguai já haviam atribuído à rede de espionagem cibernética Flax Typhoon, apontada como sediada na China, uma infiltração em sistemas do governo paraguaio. Na época, o presidente Santiago Peña relacionou o episódio à decisão de manter os laços diplomáticos com Taiwan.
O governo chinês voltou a negar qualquer envolvimento em operações de espionagem e acusou Washington de recorrer à pauta da segurança cibernética para pressionar países que mantêm relações com Pequim.
*Com EFE