Notas de Yuan, a moeda chinesa: país precisa estimular consumo interno (Thomas Ruecker/Getty Images)
Repórter
Publicado em 19 de fevereiro de 2026 às 15h42.
O mais recente relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre a economia da China, divulgado nesta quinta-feira, 19, aponta uma desaceleração moderada do crescimento, com projeção de expansão do PIB de 4,5% em 2026. Em 2025, a alta foi de 5%.
Segundo a instituição, a redução reflete os efeitos prolongados das tarifas comerciais, especialmente as dos EUA, e das incertezas relacionadas às políticas de comércio exterior. O relatório também prevê a continuidade de pressões deflacionárias, com a inflação apresentando apenas recuperação gradual em um cenário de atividade econômica enfraquecida.
No longo prazo, o FMI avalia que o potencial de crescimento do país tende a ser limitado por fatores estruturais, como problemas demográficos, refletidos no envelhecimento da população, na redução da força de trabalho, em retornos decrescentes do investimento e um avanço mais lento da produtividade.
O estudo destaca ainda que a economia chinesa enfrenta desafios tanto internos quanto externos, associados a políticas domésticas e a um ambiente geopolítico incerto. A fraqueza persistente da demanda interna pode consolidar o quadro de baixa inflação, enquanto as exportações devem ter menor capacidade de sustentar o crescimento nos próximos anos. O conselho do Fundo também projeta desaceleração do crescimento potencial no médio prazo, em razão do envelhecimento demográfico e de baixos níveis de produção.
No plano doméstico, um dos principais focos de preocupação é a contração do mercado imobiliário, que tem reduzido a atividade econômica, elevado os níveis de endividamento e enfraquecido a demanda interna. Esse cenário aumenta a dependência das exportações — um tema que está sendo abordado no atual plano de cinco anos que busca fortalecer o mercado consumidor interno.
Para enfrentar esses desafios, o FMI recomenda a transição para um modelo de crescimento mais orientado ao consumo interno, apoiado por políticas fiscais expansionistas e estímulos fiscais. Entre as medidas sugeridas estão ajustes no setor imobiliário, incluindo financiamento do governo central para concluir imóveis pré-vendidos e inacabados, com o objetivo de restaurar a confiança dos consumidores.
O fortalecimento da rede de proteção social também é apontado como forma de reduzir a poupança por precaução e estimular o consumo.
O conselho executivo do fundo avalia que a sustentabilidade da dívida pública exigirá, no longo prazo, um processo significativo de consolidação fiscal, que deverá ser implementado apenas após uma recuperação econômica consistente.
Apesar dos desafios, os diretores do Fundo destacaram a resiliência da economia chinesa diante de sucessivos choques nos últimos anos, além de ressaltar os benefícios da integração do país ao comércio multilateral e os avanços em políticas climáticas.