Combustíveis verdes: Xangai já ampliou sua atuação no abastecimento de combustíveis de menor emissão (Agência Brasil)
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Publicado em 9 de fevereiro de 2026 às 15h22.
A China anunciou um plano para transformar Xangai em um centro internacional de abastecimento e comercialização de combustíveis verdes para o transporte marítimo até 2030. O Ministério dos Transportes, em conjunto com outros dez órgãos do governo central, publicou o “Plano de Implementação para Apoio à Construção do Centro Internacional de Abastecimento de Combustíveis Verdes e Centro de Comércio de Xangai”. A medida responde ao avanço das metas de descarbonização do setor naval e ao endurecimento das regras de emissões da Organização Marítima Internacional (IMO).
O plano estabelece que, até 2030, Xangai alcance capacidade anual de abastecimento superior a 1 milhão de metros cúbicos de gás natural liquefeito (GNL) e 1 milhão de toneladas de metanol e biocombustíveis. A proposta cria um sistema integrado de fornecimento, que reúne GNL, metanol verde e biocombustíveis, com regras de certificação, normas técnicas e mecanismos de gestão. O objetivo é substituir o modelo de fornecimento único por serviços diversificados de abastecimento de combustíveis verdes para navios.
Xangai já ampliou sua atuação no abastecimento de combustíveis de menor emissão. Dados do fim de 2025 indicam que o Porto de Xangai abasteceu 712 mil metros cúbicos de GNL e 62,5 mil toneladas de metanol. O volume de metanol verde colocou o porto na segunda posição global, atrás apenas de Roterdã. Na oferta, o projeto de metanol verde de 100 mil toneladas liderado pelo grupo Shenergy entrou em operação no fim de 2025. A unidade usa resíduos urbanos como matéria-prima. Outro projeto, da Shanghai Electric, iniciou operações em Taonan, na província de Jilin, e passou a fornecer metanol verde para o mercado.
Apesar dos avanços, o plano reconhece entraves ao crescimento em escala. Parte das políticas de apoio ainda carece de detalhamento. A oferta doméstica de biocombustíveis misturados permanece abaixo do volume registrado em portos como Singapura e Roterdã. A coordenação logística entre áreas produtoras do nordeste da China e da Mongólia Interior e os centros de demanda em Xangai segue em fase inicial. O setor também enfrenta limitações de infraestrutura, como falta de tanques em zonas alfandegadas e a necessidade de adaptar dutos e sistemas de aquecimento para armazenar biocombustíveis. A ausência de incentivos obrigatórios reduz a adesão dos armadores ao uso de combustíveis verdes.
Para enfrentar esses gargalos, o plano define metas em sete frentes, que incluem segurança do abastecimento e modelos de reabastecimento multimodais. O documento cria um mecanismo de coordenação entre ministérios e governos locais para integrar reabastecimento e comercialização em Xangai. O texto prevê operações transfronteiriças, mistura de combustíveis em zonas francas e ampliação da capacidade produtiva de metanol verde em áreas aptas. O plano também propõe integrar o reabastecimento à negociação de combustíveis verdes, por meio da Bolsa Marítima de Xangai e da Bolsa de Futuros de Xangai, com conexão ao mercado de carbono e ao financiamento marítimo.
A Comissão Municipal de Transportes de Xangai afirmou que o plano alinha políticas nacionais à estratégia da cidade como centro marítimo internacional. As medidas se concentram em cinco eixos: capacidade de suporte, serviços de abastecimento, incentivos, serviços de transação e supervisão de segurança. O governo espera acelerar a adoção de combustíveis de menor emissão no transporte marítimo e ampliar a posição de Xangai na cadeia global de energia para navegação.
A iniciativa integra a estratégia dos “Cinco Centros” de Xangai e busca reduzir as emissões do setor naval. Com a criação de um sistema de abastecimento e comércio de combustíveis verdes, a cidade pretende oferecer um modelo replicável para portos internacionais. A execução do plano depende da coordenação entre órgãos públicos, da implementação das regras de certificação e da expansão da infraestrutura de armazenamento e logística até 2030.