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China coloca milhões em confinamento para conter variante Delta

Mais contagiosa, a variante Delta quebrou as defesas do país, atingindo mais de 20 cidades e uma dezena de províncias

A China voltou a isolar seus habitantes, enquanto enfrenta seu maior surto de covid-19 em meses, com a variante Delta se espalhando por regiões que há muito haviam controlado o vírus, incluindo Wuhan, epicentro original da pandemia.

Mais contagiosa, a variante Delta quebrou as defesas do país, atingindo mais de 20 cidades e uma dezena de províncias. Embora o número total de infecções — 452 no balanço mais recente — ainda seja menor do que o registrado em outros países, os dados indicam que a variante está se movendo rapidamente pelo país.

No sábado, a província de Fujian e a cidade de Congquing, de 31 milhões de habitantes, registraram surtos epidêmicos de coronavírus. Nesta segunda-feira, 2, a China confirmou 99 novos casos, 55 por transmissão local. No final do dia, mais sete pessoas foram encontradas infectadas em Wuhan, além de outra em Pequim.

Em número de casos, este é o maior surto desde uma irrupção na província de Hebei, no norte da China, em janeiro, quando 2.000 pessoas foram infectadas.

A ampla disseminação é ainda mais preocupante dado o aumento de casos na capital altamente protegida e em Wuhan, cujo status de livre de vírus tem sido motivo de orgulho na China. Os sete novos casos são os primeiros desde que a China colocou sua onda original sob controle ao bloquear a cidade de cerca de 11 milhões de habitantes e a província de Hubei.

"Os sete foram identificados como trabalhadores migrantes", informou a agência oficial de notícias Xinhua, citando funcionários de prevenção e controle da covid-19.

Pang Xinghuo, vice-diretor do Centro de Prevenção e Controle de Doenças de Pequim, implorou aos visitantes da cidade que entrem em contato com as autoridades se tiverem vindo de áreas de alto risco ou tido contato próximo com alguém infectado. As autoridades também pediram aos residentes que restringissem suas viagens.

 

 

"Surtos de aglomerados ocorreram um após o outro em todo o país e vários casos foram relatados em Pequim, levando a uma fase crítica em nossa resposta à epidemia", disse Pang. "Não podemos deixar escapar um único fio de risco e perigo oculto."

A infecção inicial do Delta chegou por meio de um voo internacional de Moscou para a cidade de Nanjing, no leste da China, em meados de julho, e se espalhou para um grupo de funcionários de limpeza do aeroporto. Em poucas semanas, os casos também surgiram em lugares tão distantes quanto a ilha de Hainan, no sul da China, a 1.900 quilômetros de Nanjing.

Os governos das principais cidades, incluindo Pequim, organizaram testes para milhões de pessoas, ao mesmo tempo que isolaram áreas residenciais e colocaram em quarentena pessoas que tiveram contato com infectados.

A cidade de Zhuzhou (centro), na província de Hunan, ordenou nesta segunda-feira a mais de 1,2 milhão de pessoas que permaneçam em casa sob um isolamento rígido durante os próximos três dias, enquanto coloca em prática uma campanha de teste e vacinação em toda a localidade. "A situação continua sendo sombria e complicada", afirmou o governo de Zhuzhou.

 

 

Em Zhangjiajie, uma cidade turística próxima de Zhuzhou, foi registrado um foco no mês passado entre os espectadores de um teatro, que depois levaram o vírus para suas casas em todo o país. Zhangjiajie determinou o confinamento de seus 1,5 milhão de habitantes na sexta-feira.

Pequim bloqueou a entrada de turistas durante a temporada de viagens de verão no Hemisfério Norte.

Nesta segunda-feira também foram registrados novos casos em Hainan, um popular destino turístico, assim como na província de Henan, devastada pelas inundações, informaram as autoridades de saúde do país.

A taxa de vacinação da China está perto de 60%, uma das mais altas do mundo, mas ainda não se sabe se as vacinas desenvolvidas localmente no país podem retardar a propagação da variante Delta.

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