Redação Exame
Publicado em 6 de janeiro de 2026 às 11h53.
A China acusou nesta terça-feira, 6, os Estados Unidos de colocarem sua legislação interna acima do direito internacional no caso da Venezuela.
A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Mao Ning, afirmou hoje que nenhum país pode situar suas normas domésticas acima das regras internacionais nem se estabelecer como árbitro da ordem jurídica global.
Em entrevista coletiva, Mao Ning também afirmou que a atuação de Washington na Venezuela "viola gravemente o direito internacional e as normas básicas que regem as relações internacionais", referindo-se à captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, durante uma operação militar americana.
"Nenhum país pode colocar suas regras internas acima do direito internacional", declarou Mao, acrescentando que os Estados Unidos, como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, "ignoraram as sérias preocupações da comunidade internacional e atropelaram de forma arbitrária a soberania, a segurança e os direitos e interesses legítimos da Venezuela".
A porta-voz reiterou que Pequim "se opõe firmemente" a estas ações e defendeu que "as questões internacionais não devem ser resolvidas mediante o uso da força", já que, segundo indicou, "o abuso de meios militares só conduz a crises maiores".
Nesse contexto, Mao sustentou que "os grandes países, em particular, não devem agir como se pudessem ser a polícia do mundo" e enfatizou que "nenhum Estado tem o direito de autoproclamar-se árbitro do direito internacional".
"A China respeita a soberania e a independência da Venezuela, e respeita as disposições adotadas pelo governo venezuelano de acordo com sua Constituição e suas leis", completou a porta-voz, ao ser questionada sobre a situação política interna do país após a nomeação de Delcy Rodríguez como presidente interina depois da captura de Maduro.
Em relação ao processo judicial aberto nos Estados Unidos contra o líder venezuelano, Mao considerou que Washington "ignorou o status de chefe de Estado do presidente Maduro" e que submetê-lo a procedimentos judiciais internos americanos "infringe gravemente a soberania nacional da Venezuela e mina seriamente as normas fundamentais das relações internacionais".
"A China insta os Estados Unidos a libertarem imediatamente o presidente Maduro e sua esposa, e a garantirem sua segurança pessoal", acrescentou.
Mao concluiu ressaltando que a China continuará defendendo "o respeito à soberania e à integridade territorial de todos os países" e defendeu a "resolução das diferenças e disputas entre Estados mediante o diálogo e a consulta por meios pacíficos".
*Com informações da EFE