Friedrich Merz: chanceler da Alemanha lamentou que o Parlamento Europeu tenha colocado um novo obstáculo ao acordo (Fabrice COFFRINI / AFP/Getty Images)
Repórter
Publicado em 22 de janeiro de 2026 às 08h42.
O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, afirmou nesta quinta-feira, 21, em Davos, que o acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul seguirá adiante, apesar do novo obstáculo criado pelo Parlamento Europeu, que decidiu levar o caso à Justiça europeia.
"Lamento profundamente que o Parlamento Europeu tenha colocado ontem outro obstáculo em nosso caminho. Mas tenham a certeza: não nos deterão. O acordo com o Mercosul é justo e equilibrado. Não há alternativa se quisermos alcançar um maior crescimento na Europa", disse Merz durante seu discurso no Fórum Econômico Mundial.
Merz indicou ainda que o mais provável é que o tratado seja aplicado de forma provisória.
Ao falar sobre a estratégia comercial do bloco, o chanceler alemão rejeitou o isolacionismo e o protecionismo. Segundo ele, a UE deve apostar em vínculos coordenados globalmente e em mercados abertos, com regras claras para garantir concorrência justa.
"As ambições comerciais da Europa são muito claras. Queremos ser a aliança que oferece mercados abertos e oportunidades comerciais. Queremos reforçar as normas para um comércio justo e condições equitativas", afirmou.
Nesse contexto, Merz disse estar convencido de que a União Europeia tem avançado de forma significativa. Como exemplo, citou a recente assinatura do acordo com o Mercosul. O tratado ainda precisa ser ratificado em nível parlamentar e, desde quarta-feira, enfrenta um novo obstáculo após o Parlamento Europeu decidir remetê-lo ao Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE), que analisará sua compatibilidade com os tratados do bloco.
O chanceler alemão também mencionou outros acordos de livre comércio em negociação pela UE, incluindo as tratativas com Índia, México e Indonésia.
"Para aproveitar ao máximo estas novas parcerias, temos que colocar ordem em nossa própria casa", advertiu Merz, que lamentou o fato de tanto a Alemanha quanto a Europa terem desperdiçado, nos últimos anos, um "incrível potencial de crescimento" ao atrasar desnecessariamente as reformas e restringir excessivamente as liberdades empresariais e a responsabilidade pessoal, algo que, assegurou, vai mudar agora.
*Com informações da EFE