Câmara dos EUA reconhece genocídio armênio e Turquia convoca embaixador

Medida foi adotada pouco antes da Câmara dos Representantes aprovar sanções contra a Turquia pela ofensiva contra as milícias curdas
Turquia: governo turco repudiou o reconhecimento do genocídio armênio (David McNew/Getty Images)
Turquia: governo turco repudiou o reconhecimento do genocídio armênio (David McNew/Getty Images)
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EFEPublicado em 30/10/2019 às 09:58.

Ancara — O governo turco repudiou nesta quarta-feira a decisão da Câmara dos Representantes (câmara baixa do Congresso) dos Estados Unidos de reconhecer o genocídio armênio e convocou o embaixador americano na Turquia para expressar rejeição à iniciativa, vista como uma punição pela operação militar na Síria.

"A resolução foi redigida e emitida para uso interno (dos EUA) e carece de fundamento histórico ou legal. Aqueles que se sentiram derrotados por não poderem evitar a Operação Fonte de Paz (ofensiva turca no nordeste da Síria) se equivocam muito se acreditam que podem se vingar desta maneira", destacou em comunicado o Ministério das Relações Exteriores turco.

A Turquia também acusa os EUA de tentarem "reescrever a história" e adverte que esta resolução busca cortar os laços entre ambos os países.

O Ministério das Relações Exteriores turco convocou nesta quarta-feira o embaixador americano, David Satterfield, para expressar repúdio à resolução dos deputados.

Embora a Turquia reconheça que houve massacres de armênios nos últimos anos do Império Otomano, argumenta que esses fatos estavam inseridos no contexto da guerra contra as milícias aliadas às tropas russas que invadiram a Anatólia. Ancara alega ainda que, naquela época, ainda não existia uma figura jurídica de genocídio.

Estima-se que mais de um milhão de armênios foram assassinados ou morreram durante a grande deportação da população para territórios desérticos da Síria, forçados pelas forças otomanas.

A votação sobre o reconhecimento do genocídio em Washington veio minutos antes de a Câmara aprovar sanções contra a Turquia pela ofensiva do país contra as milícias curdas das Unidades de Proteção do Povo (YPG) no nordeste da Síria.

Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores turco criticou as sanções por serem "incompatíveis com o espírito da aliança da Otan".

Segundo a Turquia, as sanções contradizem o acordo firmado com os EUA no dia 17 de outubro, quando ambos os países acordaram num cessar-fogo da ofensiva turca na Síria.

As YPG receberam o apoio dos Estados Unidos na luta contra o grupo jihadista Estado Islâmico, mas a Turquia considera essas mílicias terroristas por possuírem ligações com a guerrilha curda ativa na Turquia, o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK).