Biden e outros líderes estão determinados a aumentar sanções à Rússia

De acordo com comunicado da Casa Branca, em uma reunião virtual, eles também discutiram a importância de apoiar mercados de energia estáveis, diante das atuais interrupções devido às sanções
 (Reuters/Evelyn Hockstein)
(Reuters/Evelyn Hockstein)
Por Estadão ConteúdoPublicado em 29/03/2022 16:48 | Última atualização em 29/03/2022 17:14Tempo de Leitura: 5 min de leitura

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e outros líderes europeus afirmaram nesta terça-feira, 29, sua determinação em continuar aumentando os custos para a Rússia por meio de sanções e continuar fornecendo à Ucrânia assistência de segurança.

De acordo com comunicado da Casa Branca, em uma reunião virtual, eles também discutiram a importância de apoiar mercados de energia estáveis, diante das atuais interrupções devido às sanções.

Além de Biden, participaram do encontro o presidente da França, Emmanuel Macron, o chanceler da Alemanha, Olaf Scholz, e os primeiros-ministros de Reino Unido, Boris Johnson, e Itália, Mario Draghi.

EUA e Reino Unido veem com desconfiança garantias russas para cessar-fogo

Após as negociações entre Ucrânia e Rússia na Turquia, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Antony Blinken, reagiu com desconfiança à declaração russa de retirada de tropas nas regiões de Kiev e Chernihiv. Segundo Blinken, os EUA não viram “sinais de real seriedade por parte do país comandado por Vladimir Putin. “Existe o que a Rússia diz e existe o que a Rússia faz. Estamos focados neste último”, disse durante uma coletiva de imprensa.

A desconfiança contra a Rússia também foi expressada pelo primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson. Em uma reunião com ministros, ele afirmou que o cessar-fogo da guerra da Ucrânia, por si só, não seria motivo para a retirada das sanções contra a Rússia. “A pressão sobre Putin deve ser aumentada tanto por meio de novas medidas econômicas quanto pelo fornecimento de ajuda militar para garantir que a Rússia mude completamente o curso”, anunciou o porta-voz de Johnson.

Segundo o porta-voz, a retirada total das tropas russas da Ucrânia “seria um bom começo” para a mudança de postura do Reino Unido. “Julgaremos Putin e seu regime por suas ações, não por suas palavras”, declarou.

As declarações foram feitas horas após a primeira negociação entre Rússia e Ucrânia que parece ter avanços reais. A Rússia disse que está preparada para acelerar uma possível reunião entre os presidentes Vladimir Putin e Volodmir Zelenski - ideia que rejeitavam até a reunião - e afirmou que vai retirar as tropas do norte ucraniano.

Para os Estados Unidos, o anúncio da Rússia de redução das hostilidades em torno de Kiev pode ser “um meio pelo qual a Rússia mais uma vez está tentando desviar e enganar as pessoas a pensar que não está fazendo o que está fazendo”. “Se eles de alguma forma acreditam que um esforço para subjugar “apenas”, entre aspas, a parte leste da Ucrânia e a parte sul da Ucrânia pode ter sucesso, mais uma vez eles estão se enganando profundamente”, declarou.

O secretário de estado norte-americano pediu que as tropas “acabem com a agressão agora, parem de atirar, recue suas forças e, claro, se envolve em negociações”.

Nesta terça-feira, 29, enquanto a reunião entre os dois países acontecia, a Rússia atacou a cidade de Mikolaiv, no sul, e deixou ao menos 7 mortos e 22 feridos. Um dos edifícios atingidos pelos bombardeios foi o prédio governamental da cidade.

Após as negociações, o chefe da delegação russa, Vladimir Medinski, disse em entrevista a uma agência de notícias estatal russa, a Tass, que a redução das operações militares no norte não representa um cessar-fogo. “Este não é um cessar-fogo, mas esta é a nossa aspiração: alcançar gradualmente uma desescalada do conflito, pelo menos nestas frentes”, disse.

Reunião da Otan

Após a negociação entre Ucrânia e Rússia na Turquia, a Ucrânia e vários países não pertencentes à aliança foram convidados a participar de parte de uma reunião de dois dias dos ministros das Relações Exteriores da Otan na próxima semana, de acordo com um comunicado da aliança militar com sede em Bruxelas.

A Otan disse que os convites foram para “os Ministros das Relações Exteriores da Austrália, Finlândia, Geórgia, Japão, República da Coreia, Nova Zelândia, Suécia e Ucrânia, bem como o Alto Representante da União Europeia para Relações Exteriores”. A reunião está marcada para o próximo dia 7 de abril.

Alguns membros da aliança se reuniram virtualmente nesta terça-feira, depois da reunião. Segundo a Casa Branca, o presidente dos EUA, Joe Biden, conversou durante uma hora com o presidente francês Emmanuel Macron, o chanceler alemão Olaf Scholz, o primeiro-ministro italiano Mario Draghi e o primeiro-ministro britânico Boris Johnson. Até o momento, não há informações sobre o que foi discutido na chamada.

Turquia vê progresso após encontro mediado por Erdogan

Na contramão da desconfiança dos aliados da Otan, a Turquia considerou as negociações desta terça-feira um avanço para o fim da guerra. “Esta guerra que causou a morte de milhares de pessoas e o deslocamento de milhões de outras deve parar”, disse o ministro das Relações Exteriores, Mevlut Cavusoglu, em comentários televisionados.

Segundo Cavusoglu, o próximo passo da negociação seria os ministros das Relações Exteriores da Rússia e da Ucrânia se reunirem para “dar a forma ao entendimento comum mais recente”, alcançado nesta terça.

O país assumiu uma posição de mediador entre os dois países em guerra e recepcionou os negociadores no Palácio de Dolmabahçe, em Istambul, a última residência no Bósforo dos sultões e que também foi a última sede administrativa do Império Otomano, que atualmente abriga escritórios da presidência turca. “O mundo inteiro espera boas notícias”, disse o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, antes do início das discussões.