Redação Exame
Publicado em 10 de janeiro de 2026 às 17h55.
Um manifestante substituiu por alguns instantes a bandeira da República Islâmica do Irã por uma bandeira do antigo regime monárquico na fachada da embaixada iraniana em Londres, neste sábado (10), durante um ato em apoio ao movimento de protesto no país, segundo relataram testemunhas à AFP.
Um vídeo que circula nas redes sociais mostra um homem na sacada do edifício — localizado nas proximidades do Hyde Park, no centro da capital britânica — retirando a bandeira da República Islâmica sob aplausos de centenas de pessoas reunidas e, em seguida, hasteando uma bandeira com o leão e o sol, símbolos associados à monarquia.
O estandarte do antigo regime ficou exposto por vários minutos antes de ser removido, disseram diferentes testemunhas a um jornalista da AFP que acompanhava a manifestação.“Democracia para o Irã, rei Reza Pahlavi. Justiça para o Irã”, gritaram os participantes, em referência ao filho do xá deposto, que vive nos Estados Unidos. Muitos levavam bandeiras ligadas à monarquia iraniana, derrubada pela Revolução Islâmica de 1979.
Parte do grupo também exibia cartazes com a frase “Irã livre”.
“Estou aqui para apoiar os iranianos. Meus familiares no Irã protestam há duas semanas. A internet foi cortada. Acho que há três dias ninguém consegue fazer contato”, disse à AFP Taraneh, produtora de 33 anos que mora em Londres há cinco.
A polícia londrina informou na rede X que enviou agentes ao local após um manifestante subir “à sacada do edifício”. Mais tarde, afirmou que prendeu duas pessoas e que procura uma terceira.
“Não foi registrado nenhum distúrbio grave, e os policiais permanecerão no local para garantir a segurança da embaixada”, disse a corporação.
O Irã enfrenta desde 28 de dezembro uma onda de protestos populares sem precedentes em vários anos, inicialmente motivada pelo custo de vida e que se espalhou por outras regiões do país.
Pelo menos 51 pessoas — entre elas nove crianças — morreram e centenas ficaram feridas, segundo balanço divulgado na sexta-feira pela organização Iran Human Rights, sediada na Noruega.
As autoridades iranianas bloquearam o acesso à internet há mais de 48 horas, de acordo com a ONG de monitoramento de cibersegurança Netblocks.
*Com informações da AFP