Os astronautas da Nasa, Loral O'Hara e Jasmin Moghbeli, (da esquerda para direita) fazem um sinal positivo após votarem como residentes do Texas na Estação Espacial Internacional. A dupla preencheu cédulas eletrônicas de votação ausentes em março de 2024 e as encaminhou para o Controle da Missão no Centro Espacial Johnson da NASA em Houston, que repassou os votos ao cartório do condado (Nasa/Divulgação)
Repórter
Publicado em 3 de novembro de 2026 às 18h25.
O astronauta americano Anil Menon confirmou nesta terça-feira, 3, que votou nas eleições para o Congresso dos Estados Unidos a bordo da Estação Espacial Internacional, a mais de 400 km da Terra. Segundo Menon, os três americanos na estação enviaram seus votos com segurança por um sistema da agência espacial Nasa, criado após uma lei do Texas de 1997.
Enquanto milhões de americanos vão (e já foram) às urnas decidir a nova composição do Congresso dos Estados Unidos, os astronautas registrados como eleitores do país também puderam ser exercer o direito ao voto, mas de forma remota.
O astronauta Anil Menon, que embarcou em julho para uma missão espacial, confirmou nesta terça-feira, 3, que pôde escolher candidatos, mesmo a bordo da Estação Espacial Internacional, que orbita a Terra a mais de 400 km de altitude.
Em um vídeo publicado no X, ele disse que todos os três astronautas americanos que hoje vivem na Estação conseguiram depositar o voto e enviá-lo de forma segura às autoridades eleitorais.
"Este é o meu quarto, que serve também como cabine de votação. Aqui dentro está meu computador, onde eu pude preencher um formulário", disse ele na rede social.
Yes, you can even vote from space! All three US crew members had the privilege of voting from space station. We filled out an electronic ballot and sent it securely to the election officials. https://t.co/hJCExQ2nKr
— Anil Menon (@astro_anil) November 3, 2026
Até 1996, votar do espaço era impossível. Naquele ano, durante as eleições presidenciais de Bill Clinton contra Bob Dole, o astronauta americano John Blaha estava a bordo da estação espacial russa Mir.
Ele era registrado no Texas e queria votar, mas a lei estadual da época exigia o envio da cédula física por correio. Como os ônibus espaciais não faziam entregas diárias, ele foi legalmente impedido de participar e lamentou o fato publicamente.
Esse episódio gerou um incômodo político. A então secretária de estado do Texas e os legisladores locais se mobilizaram rapidamente para criar o projeto de lei de 1997, assinado pelo então governador George W. Bush. Naquele mesmo ano, o astronauta David Wolf se tornou o primeiro americano a votar do espaço.
A lei foi criada no Texas por uma questão puramente geográfica e prática: como o Centro Espacial Johnson da NASA fica em Houston, a residência oficial e o domicílio eleitoral da grande maioria do corpo de astronautas americanos são texanos.
Para os astronautas registrados fora do Texas, a votação no espaço é ancorada na legislação federal de voto à distância — especificamente na lei que garante o voto de militares americanos em bases no exterior e de civis expatriados.
Os astronautas podem votar de forma antecipada, antes do início da missão espacial, ou podem exigir uma cédula de eleitores ausentes, a mesma usada por militares americanos que são enviados para fora do território americano, como no Oriente Médio, por exemplo.
Mas aprovar a lei, o estado do Texas colocou um desafio prático no colo da Nasa: a agência precisaria inventar um método à prova de interferências e de falhas de comunicação para que esse voto fosse validado de forma segura, mesmo sendo depositado do espaço.
Foi por causa da lei texana que o Centro Espacial Johnson desenvolveu o seguinte protocolo, em coordenação com autoridades de cartórios eleitorais de cada estado:
Uma vez que esse sistema seguro foi testado e homologado para os texanos, a NASA simplesmente passou a usar a mesma tecnologia para atender aos astronautas de outros estados. Eles usam a lei federal como justificativa legal, mas "pegam carona" no sistema de transmissão eletrônica que a NASA foi obrigada a criar em 1997 para cumprir a lei do Texas.
Os astronautas solicitam uma cédula de eleitor ausente antes da missão, recebem o documento em formato digital e o preenchem na Estação Espacial Internacional. O arquivo retorna à Terra pelo sistema de comunicações espaciais da Nasa.
O astronauta americano Anil Menon confirmou nesta terça-feira, 3, que votou a bordo da Estação Espacial Internacional. Segundo Menon, os três astronautas americanos que vivem atualmente na estação conseguiram enviar seus votos.
O voto no espaço tornou-se possível em 1997, após a aprovação de uma lei no Texas. Naquele mesmo ano, David Wolf tornou-se o primeiro astronauta americano a votar fora da Terra.
O Texas criou a lei depois que John Blaha, registrado no estado, não conseguiu votar em 1996 enquanto estava na estação espacial russa Mir. O estado também concentra o domicílio eleitoral de grande parte dos astronautas porque o Centro Espacial Johnson da Nasa fica em Houston.
A cédula preenchida segue para uma antena da Nasa no Novo México e depois para o Centro Espacial Johnson, em Houston. Em seguida, o arquivo é enviado ao cartório eleitoral onde o astronauta está registrado para que o voto seja computado.
O arquivo da cédula é criptografado com chaves às quais apenas o astronauta e o funcionário do cartório eleitoral têm acesso. O sistema foi desenvolvido pela Nasa para cumprir a lei aprovada pelo Texas em 1997.