Conflito: veículos militares danificados, supostamente enviados pelos Emirados Árabes Unidos para apoiar forças separatistas do Conselho de Transição do Sul (STC), após um ataque aéreo realizado pela coalizão liderada pela Arábia Saudita no porto de Mukalla, no sul do Iêmen. (AFP)
Redação Exame
Publicado em 30 de dezembro de 2025 às 06h24.
Uma coalizão liderada pela Arábia Saudita lançou, nesta terça-feira, 30, um ataque contra armas e veículos de combate descarregados no porto de Al Mukalla, no Iêmen. As informações são da AFP.
Segundo o governo saudita, o armamento havia sido enviado por navios procedentes dos Emirados Árabes Unidos (EAU) para abastecer as forças separatistas do Conselho de Transição do Sul (CTS).
De acordo com a agência estatal SPA, as embarcações desligaram seus sistemas de rastreamento antes de descarregar “grande quantidade de armas e veículos de combate” destinados ao CTS, grupo apoiado pelos EAU que busca restaurar o antigo Iêmen do Sul como um Estado independente.
“A operação militar foi limitada e teve como alvo o armamento e os veículos recém-descarregados”, informou a SPA, acrescentando que a ofensiva foi conduzida em conformidade com o direito internacional humanitário e que não houve danos colaterais.
Os navios partiram do porto de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, segundo a agência saudita.
Em resposta direta à escalada do apoio dos Emirados ao movimento separatista, o governo do Iêmen anunciou oficialmente o cancelamento de um acordo de cooperação militar com os EAU.
A medida marca um novo capítulo nas tensões entre aliados que, embora estejam formalmente do mesmo lado no conflito contra os houthis, mantêm interesses divergentes no sul do país.
Nos últimos dias, os Emirados intensificaram seu apoio ao CTS, cujas forças avançaram sobre territórios controlados pelo governo iemenita. O apoio militar dos EAU, incluindo o envio de equipamentos pesados e blindados, ampliou o descompasso com a Arábia Saudita, que apoia o governo central.
O ministro da Defesa saudita, Khalid bin Salman, declarou na rede X (ex-Twitter) que as forças separatistas devem “entregar pacificamente” ao governo as regiões sob seu controle, em especial nas províncias de Hadramawt e Al Mahrah. O ataque desta terça-feira ocorre dias após bombardeios sauditas contra posições separatistas nessas regiões.
Apesar de estarem no mesmo campo político, o governo iemenita e o CTS têm se enfrentado em diversas frentes. A aliança entre ambos se sustenta apenas na oposição comum aos houthis, movimento xiita apoiado pelo Irã que controla a capital Sanaa e a maior parte do norte do país desde 2014.
Com o aumento das tensões, analistas alertam para o risco de uma nova frente de conflito aberto dentro do próprio campo governista iemenita, o que pode comprometer os esforços de pacificação no país.