(Luis ROBAYO /AFP)
Repórter
Publicado em 20 de fevereiro de 2026 às 06h26.
A Câmara dos Deputados da Argentina aprovou a reforma trabalhista proposta pelo governo de Javier Milei com modificações em relação ao texto do Senado.
A principal alteração foi a exclusão do artigo 44, que reduzia o salário de trabalhadores afastados por doença não relacionada ao trabalho. O dispositivo previa pagamento de 75% ou 50% da remuneração, em vez de 100%, a depender do caso.
Também foi retirado, ao longo da tramitação, o dispositivo que permitia o pagamento de salários por carteiras digitais, permanecendo apenas a possibilidade de pagamento em pesos ou dólares.
As demais mudanças estruturais da reforma foram mantidas, incluindo novas regras para indenizações, banco de horas e restrições ao direito de greve.
Com as alterações, o projeto retorna ao Senado para nova análise e ratificação. A expectativa é de conclusão da tramitação até 1º de março, quando Milei abrirá as sessões ordinárias do Congresso.
Entre os pontos mantidos no texto estão:
Foi mantida a possibilidade de pagamento de salários em pesos ou dólares. A autorização para pagamento por carteiras digitais foi retirada.
Durante o debate, parlamentares da oposição — liderados pela União pela Pátria, setores das Províncias Unidas e partidos de esquerda — classificaram a reforma trabalhista como restritiva de direitos já consolidados.
Os blocos afirmaram que a proposta favorece empregadores e apontaram possível inconstitucionalidade do texto. Segundo os opositores, a medida deverá ser questionada judicialmente.
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O governo denunciou ao menos 17 pessoas por terrorismo após confrontos registrados durante as discussões sobre o projeto.
A chefe do bloco governista no Senado, Patricia Bullrich, convocou sessão plenária das comissões de Trabalho e Orçamento para sexta-feira, às 10h. O objetivo é emitir parecer sobre o texto modificado para votação definitiva no dia 27. Após essa etapa, o projeto se tornará lei.
A votação ocorreu após a greve geral convocada pela CGT, que registrou participação classificada como “extremamente alta” pela entidade.
Sindicatos e organizações de esquerda protestaram em frente ao Congresso. Durante a tarde, houve confronto quando objetos foram lançados contra o cordão policial. As forças de segurança reagiram com canhões de água e gás lacrimogêneo.
Os incidentes resultaram em quase uma dezena de detenções, segundo jornalistas presentes.
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A reforma é uma das principais iniciativas da segunda metade do mandato de Milei. O governo conta com composição parlamentar mais favorável após as eleições legislativas de outubro e destaca a redução da inflação para 32% na comparação anual, equivalente a um terço do índice registrado dois anos antes.
*Com informações de O Globo