Cédulas de dólar e de real: moeda americana perdeu força no final de 2025 (Thinkstock)
Rita Azevedo
Publicado em 25 de abril de 2018 às 14h52.
Última atualização em 25 de abril de 2018 às 15h32.
São Paulo -- O dólar voltou a subir nesta quarta-feira, pela quinta sessão seguida, e ultrapassou a barreira dos 3,50 reais -- algo que não acontecia há quase dois anos. Só neste mês, a moeda acumula alta de 5,2% em relação ao real.
O comportamento da moeda norte-americana nos últimos dias -- que, na visão de analistas, deve durar mais algumas semanas -- é infuenciado pela alta dos Treasuries de 10 anos. Só ontem, o rendimento dos títulos subiu 3%, uma barreira que não era superada nos últimos quatro anos.
A atual disparada do rendimento dos títulos está relacionada aos temores de uma inflação maior nos Estados Unidos diante da alta dos preços das commodities, em particular a do petróleo. Se isso de fato acontecer, o esperado é que o Federal Reserve, o banco central norte-americano, intensifique o ritmo do aumento dos juros.
Quando os Estados Unidos aumentam suas taxas, investidores do mundo todo reavaliam suas posições e tendem a migrar seus recursos para o país, visto como a economia mais segura. Com isso, a oferta de dólares diminui e a moeda norte-americana se valoriza em relação às demais.
Somente a expectativa de que tudo isso aconteça já provocou a derrocada da maior parte das moedas do mundo. Segundo um ranqueamento feito pelo Estadão, 33 moedas acumulam perdas em relação ao dólar desde o começo do mês. O real é a terceira com pior desempenho, atrás apenas do bolívar venezuelano, que derrete com a crise humanitária, e o rublo russo, que sofre com a incerteza geopolítica.
No Brasil, o movimento de alta foi intensificado devido a problemas domésticos, como o clima de incerteza em relação às próximas eleições. “As reformas econômicas ainda não saíram e o quadro eleitoral está longe de ser definido”, explica Pedro Paulo Silveira, economista-chefe da Nova Futura Investimentos.
O mais provável, segundo Silveira, é que a volatilidade do dólar aumente até outubro. “O caminho vai ser de fortes altas e baixas”, diz ele. “Os fatores que provocaram a alta atual vão continuar existindo pelos menos nas próximas semanas.”