Mercado Imobiliário

Preço de imóveis de um quarto disparam e atraem investidores no Nordeste

Investidores miram imóveis menores para capturar valorização patrimonial em mercados emergentes

Venda: boom nas capitais do Nordeste ditam as maiores valorizações do setor. (Airbnb/Divulgação)

Venda: boom nas capitais do Nordeste ditam as maiores valorizações do setor. (Airbnb/Divulgação)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 13 de junho de 2026 às 12h00.

O tamanho das famílias brasileiras está encolhendo, mas o preço do metro quadrado dos imóveis menores está indo na direção oposta. Nos últimos 12 meses encerrados em maio, os imóveis residenciais de apenas um quarto lideraram com folga a valorização do setor, registrando um salto de 7,35%.

Os dados do Índice FipeZAP de Venda Residencial mostram que o desempenho coloca os compactos em um patamar de destaque para quem busca alocação de capital no setor de tijolo.

O percentual ainda superou com folga os imóveis de três dormitórios, que tiveram a menor alta do período (4,73%), e bateu a inflação oficial acumulada do país. No mesmo intervalo de 12 meses, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 4,77% e o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), 1,95%.

Quem apostou nos compactos garantiu um ganho, acima da inflação, de 2,58 pontos percentuais.

O metro quadrado mais caro do país

Por uma forte pressão da demanda, os imóveis de um dormitório ficaram com o metro quadrado mais caro do Brasil, ao reduzir o tempo de vacância e aumentar, consequentemente, o potencial de retorno para os investidores, segundo o especialista em imóveis e sócio da Smart Leilões, Renan Lopes.

Ligados de forma direta à rentabilidade, Lopes acrescenta que "os apartamentos de um dormitório costumam apresentar alta liquidez e demanda constante para locação, especialmente em regiões urbanas e turísticas."

Dados da consultoria AirDNA revelam que o volume de imóveis listados no formato de locação curta por temporada no Brasil deu um salto de 205 mil unidades em 2021 para mais de 619 mil em 2026.

Enquanto a média geral do preço de venda das 56 cidades monitoradas pela pesquisa ficou em R$ 9.809/m², o preço médio pedido para as unidades de um quarto encostou na marca dos R$ 11.987/m². Já o valor dos imóveis de dois dormitórios foi o menor R$ 8.813/m².

Mercado Imobiliário: Índices e Tipologias

Indicador / TipologiaNo Mês (Maio)No Ano (2026)Em 12 MesesPreço Médio
Imóveis de 1 dormitório+0,55%+2,76%+7,35%R$ 11.987/m²
Imóveis de 2 dormitórios+0,39%+2,18%+5,39%R$ 8.813/m²
Imóveis de 3 dormitórios+0,28%+0,98%+4,52%R$ 9.292/m²
Imóveis de 4 ou mais dormitórios+0,52%+1,82%+5,02%R$ 10.638/m²
ÍNDICE GERAL RESIDENCIAL+0,42%+1,96%+5,59%R$ 9.809/m²
IPCA+0,62%*+3,24%*+4,77%-
IGP-M+0,84%+3,79%+1,95%-
Fonte: FipeZAP, IBGE e FGV.
*Nota: Valores mensais e acumulados de 2026 para o IPCA utilizam o IPCA-15 de maio como referência prévia.

No recorte mensal de maio, o índice geral avançou 0,42%, uma desaceleração frente aos 0,51% de abril e um resultado que, pela primeira vez em meses, ficou abaixo do avanço mensal do IGP-M (0,84%) e do IPCA-15 (0,62%). Já os com um quarto, especificamente, ficaram com alta mensal de 0,55% em maio.

Alta de preços segue maior no Nordeste

O comportamento regionalizado das capitais, por outro lado, revela onde o investidor está encontrando as maiores assimetrias de valor. Enquanto mercados tradicionais do Sudeste, como São Paulo (0,22% no mês) e Rio de Janeiro (0,40%), já superam a barreira dos R$ 10 mil, o vetor de crescimento percentual migrou para o Nordeste.

Ranking das Capitais: Venda Residencial

Pos.CapitalVariação (Maio/26)Variação (12 Meses)Preço Médio (R$/m²)
Vitória (ES)+0,99%+11,40%14.965
Florianópolis (SC)+0,61%+7,97%13.288
São Paulo (SP)+0,22%+4,23%12.045
Curitiba (PR)+0,60%+5,02%11.763
Rio de Janeiro (RJ)+0,40%+4,00%10.982
Belo Horizonte (MG)+0,15%+5,54%10.680
Brasília (DF)-0,05%+5,10%10.085
Maceió (AL)+0,53%+9,19%9.961
-MÉDIA NACIONAL+0,42%+5,59%9.809
Fortaleza (CE)+0,72%+12,99%9.418
10ºBelém (PA)-0,40%+10,54%8.847
11ºRecife (PE)+0,76%+5,93%8.680
12ºSão Luís (MA)+0,41%+8,91%8.662
13ºSalvador (BA)+1,15%+12,52%8.481
14ºGoiânia (GO)+0,66%+5,32%8.280
15ºJoão Pessoa (PB)+1,46%+9,15%8.199
16ºManaus (AM)+1,00%+6,75%7.589
17ºPorto Alegre (RS)-0,53%+3,42%7.539
18ºCuiabá (MT)+0,73%+4,15%6.981
19ºCampo Grande (MS)+0,29%+2,64%6.859
20ºNatal (RN)+1,01%+9,71%6.397
21ºTeresina (PI)+1,43%+6,64%5.941
22ºAracaju (SE)+1,88%+6,84%5.633
Fonte: Pesquisa FipeZAP (Maio/2026). Nota: Capitais ordenadas por valor decrescente do m².

Para o fundador e CEO da Okre Imóveis, Paulo Dornelle, o forte desempenho das capitais nordestinas reflete uma rotação de carteira por parte de investidores que buscam capturar valorização em praças em estágio de expansão.

"O Nordeste vem apresentando um crescimento consistente que combina qualidade de vida elevada, forte desenvolvimento urbano e aceleração imobiliária. É um mercado que ainda oferece janelas relevantes de ganho patrimonial bruto e prêmio de valorização", disse.

Capitais mais consolidadas do Sudeste já operam com "preços esticados e tetos de valuation muito mais elevados", também detalha.

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