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Maior show da história do Super Bowl com Bad Bunny vira case de influência cultural

Com 135,4 milhões de espectadores, porto-riquenho transformou performance em case de autenticidade, storytelling e posicionamento — e há lições valiosas para as marcas

Puerto Rican singer Bad Bunny performs during Super Bowl LX Patriots vs Seahawks Apple Music Halftime Show at Levi's Stadium in Santa Clara, California on February 8, 2026. (Photo by JOSH EDELSON / AFP)

Puerto Rican singer Bad Bunny performs during Super Bowl LX Patriots vs Seahawks Apple Music Halftime Show at Levi's Stadium in Santa Clara, California on February 8, 2026. (Photo by JOSH EDELSON / AFP)

Publicado em 10 de fevereiro de 2026 às 09h53.

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O cantor porto-riquenho Bad Bunny se apresentou no Super Bowl LX, em 8 de fevereiro de 2026, no Levi’s Stadium, na Califórnia e transformou o maior evento publicitário do planeta em um diálogo do público latino com o mundo, sendo esse um marco carregado de significado político, cultural e estratégico, que virou um case sobre influência e marketing.

O show entrou para a história como o mais assistido do Super Bowl, à frente de apresentações com grandes nomes:

  • Bad Bunny (2026) – 135,4 milhões de espectadores
  • Kendrick Lamar – Super Bowl LIX (2025): 133,5 milhões
  • Michael Jackson – Super Bowl XXVII (1993): 133,4 milhões
  • Usher – Super Bowl LVIII: 123,4 milhões
  • Rihanna – Super Bowl LVII: 121 milhões
  • Katy Perry – Super Bowl XLIX: 118,5 milhões

Ao longo da apresentação, Bad Bunny inseriu referências latinas de forma intencional, usando sua visibilidade para amplificar pautas culturais relevantes.

Simbolismos durante a performance

A apresentação começou com o artista atravessando uma plantação, em referência à história da mão de obra dos trabalhadores porto-riquenhos. Em seguida, subiu em um poste elétrico, para simbolizar como Porto Rico é vulnerável a desastres naturais, com cidades escuras, após apagões (momento em que cantou “El Apagón” - “O Apagão”).

Em outro momento, Bad Bunny cria uma cena em que entrega uma estatueta do Grammy a um menino que aparece assistindo à cerimônia pela televisão da sala, ao lado da família, uma alusão visual à sua própria versão mais jovem e às suas origens.

A performance também incorporou referências ao cotidiano da comunidade latina, como a memória de pessoas que adormecem em espaços improvisados durante festas, simbolizada no palco por uma criança dormindo entre duas cadeiras em meio à celebração.

Depois de cantar alguns dos seus maiores hits, Bad Bunny encarou a câmera e, pela primeira vez durante a apresentação, falou em inglês: “God bless America” (“Deus abençoe a América”). Em seguida, citou mais de 20 países da América do Norte, Central e do Sul, enquanto dançarinos exibiam as bandeiras de várias dessas nações, com as dos Estados Unidos e de Porto Rico, em destaque logo atrás, sendo esse um dos momentos mais marcantes do dia.

Ao confrontar o uso recorrente do termo “América” como sinônimo exclusivo dos Estados Unidos, o artista reforçou a ideia de um continente plural. Pouco antes de cantar o hit “DtMF”, Bad Bunny exibiu uma bola de futebol americano com a frase “Together we are America” (“Juntos somos América”), ampliando o significado do termo para além de um único país.

A performance funcionou como uma estratégia de reposicionamento cultural, trazendo para o centro as nações que raramente recebem atenção proporcional ao seu impacto cultural. O cantor não mediu esforços para amplificar sua identidade e sua região por meio de narrativas construídas e reforçadas ao longo de sua trajetória.

É justamente nesse ponto que o marketing entra, quando as marcas e artistas entendem o poder da narrativa geopolítica e da representatividade e conseguem gerar conexão emocional com o público.

O que o marcas e artistas pode aprender com Bad Bunny

Autenticidade como estratégia

Indo na contramão do que o mercado costuma exigir de grandes artistas, Bad Bunny revelou que, ao ser convidado para o Super Bowl, havia uma exigência contratual para que a performance fosse feita em inglês. Ele recusou a proposta nesses termos e impôs uma única condição: cantar exclusivamente em sua língua nativa. A decisão foi unicamente cultural, como forma de manter sua identidade firme e intacta.

Ao se manter fiel à própria autenticidade, Bad Bunny conquista públicos de diferentes gerações, especialmente a Geração Z e os Millennials. Esses grupos se conectam com artistas e marcas que assumem suas origens, valores e visões de mundo, indo além de pautas passageiras ou conteúdos pensados apenas para viralizar, e que constroem seus perfis ancorados em suas raízes.

Antecipação como alavanca

Outra estratégia de marketing no universo de Bad Bunny é o uso da antecipação como alavanca de marca pessoal. Antes mesmo da confirmação oficial, o artista lançou teasers, pequenos clipes e sinais sutis que alimentaram especulações sobre sua participação no Super Bowl. Essa expectativa criou engajamento orgânico e ampliou o buzz nas redes.

Em setembro de 2025, a NFL confirmou Bad Bunny como atração do Super Bowl e, já no dia seguinte, o consumo de suas músicas cresceu 31%, alcançando 18 milhões de reproduções. Ao longo dos oito dias seguintes, os streams nos Estados Unidos avançaram mais 26%, saltando de 173 milhões para 218,5 milhões.

Ativações - experiência física como extensão da marca

Bad Bunny também aposta em ativações físicas como ferramenta para ampliar sua visibilidade e aprofundar a relação com o público. Um exemplo recente foi a criação da La Casita, uma loja temática em formato pop-up instalada em San Antonio, no Texas. O espaço funcionava como uma recriação da casa do artista em Porto Rico, convidando fãs a vivenciarem seu universo cultural de forma imersiva.

Claro que todas essas estratégias estão combinadas com um planejamento de marketing robusto, alinhado aos valores e posicionamento dos artistas e das marcas.

Não se trata apenas de estar presente nas conversas do momento, mas de ocupar o espaço certo, com a mensagem certa, no instante exato. E foi genial como o Bad Bunny soube usar o espaço cedido pelo Super Bowl para se posicionar e dar orgulho para diversas nações.

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