Marketing

Le Pub desliga chief creative officer em meio a polêmica no Cannes Lions

Felipe Cury deixa a agência após investigação interna sobre o videocase “Followers Store”, criado para a New Balance e alvo de questionamentos

Felipe Cury, ex-chief creative officer da Le Pub; agência foi premiada por campanha questionada por inconsistências no Cannes Lions 2025 (Le Pub/Divulgação)

Felipe Cury, ex-chief creative officer da Le Pub; agência foi premiada por campanha questionada por inconsistências no Cannes Lions 2025 (Le Pub/Divulgação)

Juliana Pio
Juliana Pio

Editora-assistente de Marketing e Projetos Especiais

Publicado em 10 de julho de 2025 às 19h32.

Última atualização em 10 de julho de 2025 às 19h38.

Tudo sobreCannes Lions
Saiba mais

Felipe Cury deixou a liderança criativa da Le Pub, após uma investigação interna da agência sobre o videocase “Followers Store”, criado para a New Balance. A campanha foi premiada com três Leões no Festival de Cannes de 2025.

A saída ocorre semanas após o festival ser marcado por questionamentos sobre a veracidade de materiais inscritos por agências brasileiras. No caso da Le Pub, os questionamentos se concentraram em supostas inconsistências entre o videocase apresentado ao júri e o que teria ocorrido, de fato, na ativação da campanha.

No comunicado oficial divulgado nesta quinta-feira, 10, a agência afirmou ter conduzido uma “investigação minuciosa” e reconheceu que o projeto em questão ficou “aquém dos altos padrões da agência”. A empresa declarou ter adotado “medidas disciplinares rigorosas” em relação aos envolvidos, sem detalhar quais seriam essas medidas.

Cury construiu sua carreira em agências de publicidade no Brasil e na Alemanha, onde atuou na DDB Berlim, Innocean e Leo Burnett. No Brasil, passou por Santa Clara e Africa, até ingressar na Le Pub, em 2022, para cofundar o primeiro escritório da rede fora da Europa, em São Paulo.

Como chief creative officer da operação brasileira da agência do grupo Publicis, ajudou a consolidar o nome da Le Pub no país e a conquistar reconhecimento em festivais internacionais. Sua saída ocorre em um momento em que o mercado publicitário volta a atenção para a transparência e a integridade dos cases apresentados em premiações.

Entenda a controvérsia sobre o case da New Balance

O projeto “Followers Store” recebeu uma Prata em Direct e dois Bronzes em Brand Experience & Activation e Outdoor no Cannes Lions 2025. O videocase descrevia uma suposta ação de geolocalização que liberaria a pré-venda de uma nova camisa do São Paulo Futebol Clube exclusivamente para torcedores que acompanharam o trajeto do ônibus do time até o estádio.

O vídeo afirmava que 45 mil camisas haviam sido vendidas ao longo de um percurso de 25 km. A campanha, no entanto, passou a ser questionada após o jornalista Demétrio Vecchioli apontar, em publicação no LinkedIn, uma série de inconsistências: o trajeto tem 22 km, não houve pré-venda no dia citado e a camisa segue disponível nas lojas. Ele também identificou trechos do vídeo que mencionam veículos de mídia que não atuam mais no Brasil.

Procurada pela EXAME após as críticas, a Le Pub afirmou, no último dia 27, que “o caso não procedia”. Dias depois, ao ser novamente questionada, recuou e informou que havia iniciado uma apuração “rápida e rigorosa”, reforçando ter “tolerância zero” para esse tipo de situação e que adota medidas disciplinares sempre que necessário.

Mesmo com os questionamentos públicos, até o momento, os Leões conquistados pela agência não foram cassados. A Le Pub também não esclareceu se a ação descrita no vídeo chegou a ser realizada nos moldes apresentados ao júri.

Ao fim do comunicado desta quinta-feira, 10, a agência afirmou que continuará comprometida com a entrega de campanhas autênticas para seus clientes. O nome do novo responsável pela liderança criativa da operação brasileira ainda não foi anunciado.

DM9 perde prêmios após escândalo

O episódio fez parte de uma série de contestações a cases brasileiros no festival deste ano. A campanha “Consumo Eficiente de Energia”, da DM9 para a Consul, foi a única a ter seus troféus oficialmente cassados pelo festival, após o uso de inteligência artificial para simular imagens e falas de veículos como CNN Brasil e TED Talks.

Conforme mostrou a EXAME, a DM9 também desligou seu chief creative officer, Ícaro Doria, e admitiu problemas em outros dois cases inscritos: “Plastic Blood” e “Death Gold”. Ao todo, a agência devolveu 12 Leões.

Banimento por até 3 anos

Em resposta às controvérsias, o Cannes Lions anunciou nesta quinta-feira, 10, a criação de "novos padrões de integridade" e medidas para reforçar a verificação e a responsabilização nas premiações.

De acordo com Simon Cook, CEO do Lions, o movimento é uma resposta às transformações aceleradas no mercado criativo. “O cenário da indústria está mudando em velocidade acelerada e, assim como o restante do mercado, o Cannes Lions está se adaptando rapidamente a isso”, afirmou em nota.

O novo conjunto de diretrizes passa a valer a partir de 2026 e prevê regras mais rígidas para garantir a integridade do processo. As submissões precisarão de aprovações formais do líder da empresa e de um executivo sênior de marketing, além de passarem por um processo de checagem de fatos com revisão humana e por IA.

As mudanças também incluem a presença de especialistas independentes em mensuração nos júris, regras específicas para o uso de IA, possibilidade de banimento por até três anos em casos de má conduta, criação de um conselho para supervisionar casos complexos e a publicação de relatórios anuais de transparência.

Acompanhe tudo sobre:Cannes LionsPublicisPublicitáriosAgências de publicidade

Mais de Marketing

Brahma promete cerveja de graça se Brasil ganhar a Copa: 'Se não vier, a mensagem continua válida'

'A palavra TV está desaparecendo', diz diretor global de parcerias do YouTube

KLM comemora oito décadas com ação no Corinthians

Você nunca produziu tanto…e nunca foi tão fácil te ignorar