Alimentação: marmitas semi-prontas podem ser uma opção melhor de custo-benefício (ThinkStock/Thinkstock)
Repórter de finanças
Publicado em 19 de fevereiro de 2026 às 09h00.
Para muitas famílias brasileiras, a pergunta sobre gastar tempo preparando refeições ou recorrer a aplicativos de delivery é mais do que uma questão de praticidade — é também uma decisão financeira. Com o crescimento do setor de entrega de alimentos, impulsionado por apps como iFood, Rappi, 99Food e Keeta, surge a dúvida: o que é mais vantajoso no bolso e na rotina diária?
“Embora o senso comum indique que cozinhar em casa costuma ser mais barato, fatores como praticidade, tempo disponível e promoções oferecidas pelos aplicativos podem alterar essa conta. Ao mesmo tempo, a alta nos preços dos alimentos, principalmente entre 2020 e 2023, incentivou parte da população a retomar o preparo das refeições em casa”, diz Wanessa Guimarães, planejadora financeira CFP.
Uma pesquisa da Serasa em parceria com a Opinion Box, divulgada em fevereiro de 2026, aponta que o gasto médio mensal do brasileiro com supermercado é de R$ 930. Este valor representa uma parcela significativa do custo de vida médio, estimado em R$ 3.520 por mês.
Mas cozinhar em casa envolve mais do que apenas comprar ingredientes.
Segundo Guimarães, o custo médio de uma refeição preparada em casa costuma variar entre R$ 10 e R$ 18 por pessoa — mas esse valor depende do tipo de proteína utilizada, do aproveitamento dos alimentos e da quantidade preparada.
Esse valor também considera os custos indiretos, como gás, água e energia usados no preparo. Entretanto, ao adicionar um tempo mínimo para o preparo, uma refeição total caseira chega a R$ 29,40.
O ticket médio de pedidos individuais em aplicativos atualmente varia entre R$ 30 e R$ 55 para refeições completas e entre R$ 25 e R$ 45 para lanches ou fast food.
O frete normalmente varia entre R$ 5 e R$ 15, podendo ser reduzido ou eliminado em promoções. Quando se incluem bebidas, taxas de serviço e adicionais, o valor final pode ultrapassar R$ 60 por pedido — de acordo com cálculos de Guimarães.
“A ‘guerra do delivery’, com a chegada de novos concorrentes, tem forçado os apps a serem mais agressivos nos descontos de frete, mas ele sempre estará na conta final, seja explícito ou embutido no preço do produto”, destaca Carol Stange, educadora financeira.
Ou seja, cozinhar em casa (R$ 29,40) ainda tende a ser a alternativa mais econômica, especialmente para famílias, do que o delivery (R$ 60). “A diferença de custo pode chegar até a 60% quando comparada ao uso frequente de delivery”, acrescenta Guimarães.
Entretanto, promoções, cupons e assinaturas conseguem reduzir essa diferença, principalmente para quem utiliza o serviço de forma pontual e planejada.
Os clubes de assinaturas variam de preço, podendo começar em R$ 13,90, a depender do aplicativo. Ao ser membro desses clubes, os consumidores têm acesso a cupons como frete grátis e descontos no valor da refeição, que podem ser um percentual do preço ou abatimento pré-definido (como nos cupons de R$ 5 e R$ 10).
Para Guimarães, esses cupons e promoções podem reduzir o custo de um pedido em cerca de 20% a 30%. “O principal cuidado é que essas ofertas costumam estimular o aumento da frequência de consumo. Na prática, o consumidor pode economizar em pedidos individuais, mas acabar elevando o gasto total mensal se não houver planejamento.”
Rodrigo Simões, economista e professor da Faculdade do Comércio, concorda.
“Use os clubes de compras, os programas de fidelização das marcas e os cashbacks disponíveis sempre que possível e aproveite as promoções de fim de mês, pois é o período em que geralmente os valores que as pessoas recebem de vale-refeição e alimentação oferecido pelas empresas já tem acabado, e a pessoa passa a utilizar parte da renda salarial para aquisição dos produtos.”
Nem todos têm a mesma renda: uma pessoa que possui uma renda de dois salários-mínimos (média da renda do brasileiro) muito provavelmente decidirá mais pela opção de consumir via delivery aos finais de semana.
“Já uma pessoa ou família que possui renda de mais de cinco salários-mínimos optará possivelmente por alguns dias também da semana, pela praticidade e porque nesta faixa de renda as proporções de gastos com alimentação são menores em relação ao total da renda do que a média de renda nacional”, diz Simões.
Nesta situação, comer presencialmente em restaurante pode ser uma opção. A Faculdade do Comércio da Associação Comercial de São Paulo antecipou, em primeira-mão à EXAME, dados da amostragem inicial do Índice Prato Feito — FAC, que será lançado em abril, e capta a variação da inflação pelo prato feito.
O estudo mostrou que o almoço servido a la carte quase que em todos os restaurantes e lanchonetes do país, a refeição básica do brasileiro que consome no almoço e intervalo de expediente do trabalho, custa, em média, R$ 29,46 cobrado no local onde é servido, e R$ 30,16 na modalidade de delivery. A diferença pode parecer pequena, mas no fim do mês, faz diferença.
E se o consumidor quiser mesclar praticidade com custo baixo, não existe um meio-termo? As refeições semi-prontas e marmitas por assinatura surgiram como uma alternativa para equilibrar custo e conveniência, oferecendo maior previsibilidade de gasto ao consumidor.
Em média, os preços variam de R$ 15 a R$ 34,90 por unidade, a depender do cardápio, do volume contratado e da região, de acordo com o levantamento de Guimarães em cinco apps de marmitas.
“É totalmente possível ter uma marmita completa e nutritiva por cerca de R$ 20,00. É um valor muito competitivo, que fica no meio do caminho entre o custo de cozinhar tudo do zero e o preço de um prato de restaurante via delivery”, comenta Stange.
“Acredito que as famílias devem primeiro entender quanto da renda possuem disponibilidade para gastar com alimentos fora do lar, para que este gasto não consumo parte dos valores que seriam destinados à educação, medicamentos, lazer e gastos fixos da residência, entendendo isto a pessoa consegue equilibrar a renda e não ficar endividado”, diz Simões.