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Aéreas devem pagar mais caro por combustível: é hora de comprar passagem?

Querosene de aviação responde por um terço dos custos das aéreas e repasse ao consumidor é praticamente inevitável

Impacto da Guerra nas áreas: querosene de aviação nas alturas (GOL / Divulgação)

Impacto da Guerra nas áreas: querosene de aviação nas alturas (GOL / Divulgação)

Rebecca Crepaldi
Rebecca Crepaldi

Repórter de finanças

Publicado em 1 de abril de 2026 às 05h00.

Última atualização em 1 de abril de 2026 às 11h42.

O preço do querosene de aviação (QAV), combustível das companhias aéreas, pode sofrer um ajuste significativo a partir desta quarta-feira, 1. O Grupo Abra, holding que controla a Gol e a Avianca, sinalizou ontem, em teleconferência de resultados, que a Petrobras deve elevar os preços em cerca de 55%.

A Petrobras informou à EXAME que ainda não há posicionamento oficial sobre o tema. Entretanto, já é possível observar aumentos em outros tipos de combustível, como o diesel, como um reflexo da Guerra com o Irã, o que levou o preço do petróleo para o patamar dos US$ 100. O Brent, referência internacional, chegou a ultrapassar a marca dos US$ 115 o barril.

Essa elevação no preço do QAV, segundo especialistas, impacta diretamente o bolso do consumidor por meio das passagens aéreas. O combustível representa em torno de 30% dos custos de uma companhia aérea, e é inevitável que seja repassado aos passageiros. Ainda mais num momento em que as empresas se reestruturam financeiramente.

“Há uma correlação direta entre o aumento do custo do combustível versus o aumento da passagem aérea”, comenta Carlos Castro, planejador financeiro pela Planejar.

“Um aumento de 55% é um aumento bastante considerável e que impacta não só o turismo, mas tudo o que depende de transporte aéreo”, explica Paula Sauer, economista, planejadora financeira CFP, doutora em Psicologia, e professora de Economia Comportamental na ESPM.

A alta já pode ser sentida. Segundo a especialista, os preços sobem antes dos custos efetivamente aumentarem — essa é a chamada 'inflação de expectativa'.

“A inflação de expectativa acaba gerando a própria inflação. As empresas aumentam os preços por precaução."

Vale a pena comprar passagem agora?

Mesmo que acabe o conflito, segundo Sauer, o mercado leva ao menos 90 dias para se normalizar. Se a viagem é no curto prazo e as datas não são flexíveis, pode ser, sim, recomendado comprar a passagem.

“Por outro lado, se a viagem é mais para o final do ano, os governos e as companhias aéreas têm um pouco mais de tempo para elaborar e colocar em prática estratégias para mininizar os impactos dos custos no bolso do consumidor final. Até lá, inclusive, os preços podem até baixar”, diz.

Castro também destaca que quanto mais próximo da data deixar para comprar a passagem, mais o preço se eleva, devido à ocupação do avião, entre outros fatores. De qualquer forma, “o consumidor precisa se planejar para viajar”, enfatiza o planejador.

A cada US$ 1 de aumento, passagem pode subir 10%

Segundo o diretor financeiro do Grupo Abra, Manuel Irarrazaval, o aumento anunciado pela petroleira para abril será “moderado” quando comparado à alta das cotações internacionais do combustível. Irarrazaval explicou também que a política de reajustes mensais ajuda as companhias aéreas a lidar com variações nos custos ao longo do tempo.

Ainda assim, o executivo afirmou que aumentos adicionais podem exigir repasses às tarifas: a cada elevação de US$ 1 por galão no preço do QAV, as passagens poderiam subir cerca de 10%.

O movimento já começa a aparecer no setor. A Azul informou recentemente, em teleconferência de resultados com analistas, que elevou o preço médio das passagens em mais de 20% ao longo das últimas três semanas e anunciou que pretende adotar estratégias para lidar com a pressão de custos. Entre as ações previstas, está a redução de aproximadamente 1% na oferta de voos domésticos no segundo trimestre de 2026.

“Não faz sentido operar voos que não cobrem o custo do combustível, e esses cortes adicionais de capacidade nos dão a capacidade de ser ainda mais seletivos em relação à demanda. À medida que a situação evolui, podemos adaptar esses cortes para o restante do ano”, disse na teleconferência.

Medidas do Governo

O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) confirmou à EXAME que enviou proposta ao Ministério da Fazenda, à Casa Civil da Presidência da República, ao Ministério de Minas e Energia e à Petrobrás com medidas voltadas à redução dos impactos da elevação do preço internacional do petróleo sobre o setor aéreo.

Segundo nota, o documento, elaborado pela Secretaria Nacional de Aviação Civil (SAC), as sugere a redução da alíquota do PIS/Confins sobre o QAV, a redução da alíquota do IOF incidente sobre empresas aéreas e a redução da alíquota de imposto de renda incidente sobre o leasing das aeronaves.

"Outras medidas estão em fase inicial de discursão na secretaria e precisam de maturação antes do encaminhamento aos órgãos", diz o órgão.

A nota ainda enfatiza que o objetivo é preservar a competitividade das empresas, evitar repasses excessivos ao consumidor e manter a conectividade aérea no país. "O material foi encaminhado como subsídio técnico para avaliação e, neste momento, integra tratativas internas do governo federal sobre sua viabilidade", afirma.

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