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Controladora da Gol se prepara para aumento de 55% no combustível de aviação

Reajuste corre em meio à alta do petróleo com a guerra no Oriente Médio e pode levar a novos aumentos nas passagens

Abra: controladora da Gol espera reajuste no preço do QAV nesta quarta-feira, 1 (Divulgação GOL)

Abra: controladora da Gol espera reajuste no preço do QAV nesta quarta-feira, 1 (Divulgação GOL)

Caroline Oliveira
Caroline Oliveira

Colaboradora na Exame

Publicado em 31 de março de 2026 às 15h11.

A Petrobras (PETR3;PETR4) deve elevar em cerca de 55% os preços do querosene de aviação (QAV) a partir de 1º de abril, segundo informou nesta terça-feira, 31, o Grupo Abra, holding que controla a Gol e a Avianca. A afirmação foi feita no call de resultados da holding, realizada hoje pela manhã. Caso se confirme, o reajuste deve refletir a forte alta recente do petróleo no mercado internacional, impulsionada pela Guerra com o Irã.

A medida tende a ampliar a pressão sobre o setor aéreo brasileiro, em um momento no qual companhias aéreas como a Gol e a Azul ainda se recuperam financeiramente, após processos recentes de reestruturação de dívidas. No Brasil, o combustível representa mais de 30% dos custos operacionais das empresas do segmento, e a Petrobras, principal produtora de petróleo no país, responde pela maior parte do refino e da oferta do QAV no mercado doméstico.

A estatal costuma ajustar os preços do QAV no início de cada mês, levando em consideração fatores como a cotação internacional do petróleo e a variação do dólar. Procurada pela Reuters, a Petrobras ainda não se manifestou sobre o assunto.

Segundo o diretor financeiro do Grupo Abra, Manuel Irarrazaval, o aumento anunciado pela petroleira para abril será “moderado” quando comparado à alta das cotações internacionais do combustível. Irarrazaval explicou também que a política de reajustes mensais ajuda as companhias aéreas a lidar com variações nos custos ao longo do tempo.

Ainda assim, o executivo afirmou que aumentos adicionais podem exigir repasses às tarifas: a cada elevação de US$ 1 por galão no preço do QAV, as passagens poderiam subir cerca de 10%.

O movimento já começa a aparecer no setor. A Azul informou recentemente, em teleconferência de resultados com analistas, que elevou o preço médio das passagens em mais de 20% ao longo das últimas três semanas e anunciou que pretende adotar estratégias para lidar com a pressão de custos. Entre as ações previstas, está a redução de aproximadamente 1% na oferta de voos domésticos no segundo trimestre de 2026.

Diante do avanço do petróleo e do impacto sobre o setor, o governo brasileiro avalia medidas para reduzir os efeitos sobre as companhias aéreas, segundo reportagem publicada na segunda-feira pelo jornal Folha de S.Paulo. Entre as alternativas em discussão estão a criação de linhas de crédito para compra de combustível e possíveis cortes tributários. O Ministério de Portos e Aeroportos também não comentou o assunto até o momento.

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