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Trader campeão explica como ganhar com a queda das ações

Eduardo Ramos terminou 2019 entre os dez primeiro colocados da Copa do Mundo de Mercados Futuros

Eduardo Ramos: trader segura troféu de vice-campeão de Índice & Juros Futuros, conquistado em 2018 (Arquivo Pessoal/Divulgação)

Eduardo Ramos: trader segura troféu de vice-campeão de Índice & Juros Futuros, conquistado em 2018 (Arquivo Pessoal/Divulgação)

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Guilherme Guilherme

16 de março de 2020, 15h17

São Paulo - A queda de 42,73% do Ibovespa, principal índice acionário da bolsa brasileira, em apenas 48 dias de 2020 provocou pânico em parte dos investidores. Outra parte conseguiu lucrar com a derrocada. Diante da perspectiva de que a desvalorização das empresas negociadas na bolsa B3 continue – o fundo EWZ, que emula a carteira do Ibovespa, caía 15% no mercado futuro de Nova York no começo da manhã desta segunda-feira (16) –, quem domina a estratégia de ganhar em mercados de baixa tem dicas valiosas para os investidores.  

O trader paulista Eduardo Ramos, que terminou a última Copa do Mundo de Mercados Futuros, organizada pela empresa americana de trading Robbins Company, entre os dez primeiros colocados, já esperava a queda do começo do ano. “No fim de 2019, tinha aquela euforia. Mas meus indicadores diziam que era um momento de alto risco”, afirmou. Em 2019, Ramos ficou na oitava posição da competição, com 69% de rentabilidade. O campeonato, que ocorre anualmente desde 1984, contava com mais de 100 traders do mundo todo. 

Como parte de sua estratégia, Ramos procura encontrar padrões no mercado financeiro. “Por exemplo, anos de fim 0, 1 e 2 tendem a ser de queda, enquanto o meio da década e os anos de fim 9 geralmente são bons”, disse, em entrevista a EXAME.

Prever os movimentos de baixa do mercado financeiro pode ser uma tarefa difícil, mas, se a teoria se concretizar, é possível ganhar muito dinheiro. No entanto, Ramos alerta que apostar contra pode ser ainda mais arriscado do que esperar pela alta. “Se o movimento de queda não vem, você perde muito dinheiro. É preciso controlar bem os riscos com ordens de stop loss e stop gain, por exemplo”, comenta. 

Mesmo com o mercado em crise, o grupo de trading australiano A. Masters, que atualmente lidera a competição que Ramos disputa, acumula ganhos de 3.970% desde o início do ano e tem chances de bater o recorde do famoso trader americano Larry Williams, que acumulou 11.376% de retorno em 1987. 

No Brasil, Ramos conta que existem várias formas de tirar proveito movimento de queda. Para quem tem menos experiência no mercado, o trader recomenda operações mais simples, como vender ação a descoberto. A operação consiste em vender uma ação (alugada por uma taxa pré-definida) pelo preço atual e recomprar pela cotação futura. Ou seja, a operação dá lucro quando a ação cai e prejuízo quando sobe. As taxas cobradas no aluguel variam de a acordo com a volatilidade do mercado. “Quando mais gente acredita na queda das ações, aumenta a procura por aluguéis e o preço da taxa sobe”, diz Ramos. 

“Para diminuir os riscos da operação, também dá para fazer isso com ETFs”, diz. Os fundos passivos de ações, que geralmente replicam a composição de índices, como o Ibovespa, costumam ser menos voláteis que as ações. 

O mercado de opções é outra forma de conseguir ganhar com a tendência de queda. No entanto, devido à alavancagem, Ramos considera este um segmento de “riscos ainda mais altos”. "O mercado de opções permite que você negocie uma quantidade grande de ações pagando apenas uma fração do valor dela. Caso a previsão se concretize, é possível ganhar muito dinheiro, se der errado, pode perder tudo", afirma.

Embora possibilite grandes ganhos, Ramos acredita que esse mercado não é para iniciantes. “Para entrar no mercado de opções tem que ter um excelente controle de riscos porque a chance de perder dinheiro é muito alta. O pequeno investidor tem que estudar bastante, para, quem sabe um dia, vir a trabalhar com opções."

Apesar da queda acentuada das ações possibilitar lucros significativos, Ramos não considera adequado operar vendido sempre. “Esse tipo de movimento costuma durar menos tempo. No longo prazo, as ações, principalmente a de boas empresas, tendem a subir.”

Em seu clube de investimentos Horizon, onde administra os recursos de forma mais conservadora do que quando está competindo, Ramos tem optado por apenas fazer hedge, sem tentar obter lucros com a desvalorização dos papéis. “Não queremos correr risco de perder dinheiro dos cotistas em meio em a uma alta nas cotações. A maioria não entenderia ou aceitaria uma perda desse tipo”, diz.

Para atravessar este momento de turbulência nos mercados financeiros, o trader reduziu a exposição em ações, deixando parte dos recursos em caixa, e aumentou a proteção por meio da venda de contratos de Ibovespa futuro. “Você perde de um lado pela desvalorização da carteira, mas ganha do outro porque está vendido em Ibovespa futuro. Porém, se as cotações sobem, a carteira não obtém a rentabilidade da subida”, afirma.