Queremos democratizar a programação no Brasil, diz CEO da GitHub da Microsoft

Para Thomas Dohmke, existe uma grande oportunidade para os jovens, pois o país vai precisar de 250 mil programadores no futuro, mas só forma 15 mil por ano
Thomas Dohmke, CEO da GitHub (EXAME/Exame)
Thomas Dohmke, CEO da GitHub (EXAME/Exame)
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Carlo Cauti, de San Francisco, EUA

Publicado em 14/11/2022 às 10:51.

Última atualização em 14/11/2022 às 10:52.

O Brasil é um dos mercados mais importantes do mundo para a indústria de programação informática, e por isso que gigantes como a GitHub, divisão de open source da Microsoft (MSFT34) estão apostando no país. Especialmente na formação de novos talentos.

"O mercado demanda muitos mais desenvolvedores do que são formados nas faculdades todos os anos. Faltam milhões desses profissionais, e faltarão cada vez mais. No Brasil, em particular, tem uma demanda enorme por desenvolvedores. Por isso, queremos contribuir com a educação desses jovens profissionais", disse Thomas Dohmke, CEO da GitHub, em entrevista à EXAME Invest durante o Universe 2022, o maior evento do mundo de programação open source, inteligência artificial e segurança informática.

A GitHub está no Brasil desde 2018, conta com mais de três milhões de programadores que usam seus serviços e tem entre seus clientes brasileiros gigantes como Nubank - que surgiu dentro da plataforma - Itaú(ITUB4), Bradesco(BBDC4), Santander(SANB11), Via(VIIA3) e outras grandes empresas privadas.

Entre as facilidades que a controlada da Microsoft está oferecendo para os jovens brasileiros estão até 60 horas de graça para que os desenvolvedores possam usar sua plataforma e outros benefícios para auxiliar a programação.

Muitas oportunidades para programadores brasileiros

"Temos um programa de educação muito interessante para o país. Já trabalhamos com 66 mil estudantes e professores no Brasil em mais de 70 escolas e bootcamps espalhados em todo o território nacional, como Senai, Institutos Federais, Centro Paula Souza, entre outros. Mas queremos expandir muito mais nossas atividades no Brasil", salienta Dohmke.

Segundo o CEO, o Brasil vai demandar todos os anos cerca de 250 mil programadores, mas consegue formar apenas 15 mil por ano em suas faculdades. "E muitos deles são disputados no mercado global por empresas estrangeiras, pois podem trabalhar remotamente mesmo permanecendo no Brasil e ainda ganham em dólares ou euros", diz Dohmke.

Por isso, para o executivo, existem grandes oportunidades para jovens que queiram entrar nesse âmbito profissional, pois "é um trabalho com uma elevada remuneração desde o começo da carreira" quantificada em cerca de "quatro-cinco mil reais" para um programador recém-formado, e que "não demanda mais máquinas com grandes capacidades de processamento".

"Agora é possível programar com computadores básicos ou até com o telefone celular. Não precisa de grandes investimentos para começar. Todo o mundo pode se tornar programador. É uma grande oportunidade especialmente para as camadas mais baixas da sociedade. Mas é preciso ensinar desde cedo a programar, é algo que deve ser inserido nos curricula acadêmicos", diz o Dohmke.

Crise não terá impactos na GitHub nem na Microsoft  (MSFT34), diz CEO

Perguntando sobre a situação atual do mercado de tecnologia, com as demissões de milhares de funcionários que estão ocorrendo entre as Big Techs nesses últimos dias, o executivo explicou que "isso é algo natural" e que "faz parte do jogo do mercado".

"Quem trabalha nesse setor sabia que isso, antes ou depois, iria acontecer. A economia dos últimos anos sempre foi em movimento ondulatório. Recentemente vivenciamos o maior Bull Market da história, que foi muito prolongado. Agora as coisas estão se estabilizando. Estamos tristes para essas pessoas, mas elas terão a grande oportunidade de se reinventar e de criar novos negócios. É assim que funciona no Vale do Silício. Muitas vezes quem sai de uma empresa acaba fundando sua própria startup. E pode virar bilionário dessa forma", explica Dohmke.

Perguntado se esses cortes irão impactar os negócios da GitHub - cujo maior faturamento é oriundo de licenças individuais de programadores - o CEO se disse otimista como o futuro, e descartou possíveis consequências negativas sobre a atuação da empresa ou até da própria controladora Microsoft.

"Não achamos que esses cortes terão repercussões negativas sobre nossos negócios. Estamos desenvolvendo novas tecnologias, como por exemplo a Inteligência Artificial, que foi apresentada aqui na Universe 2022, que vai facilitar ainda mais o trabalho dos desenvolvedores. Não vamos realizar nenhum corte de nossa força de trabalho", disse Dohmke.

Perguntado sobre o número de funcionários no Brasil, o faturamento da empresa no país e o faturamento global da GitHub, o CEO respondeu que não divulgam essas informações. Atualmente, a controlada da Microsoft não tem uma sede física no Brasil mas contrata programadores no território nacional.

O repórter viajou para a Universe 2022 a convite da GitHub