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Por que desta vez o ouro não tem sido proteção contra a inflação

Metal precioso caminha para sua maior queda anual desde 2015, na contramão de frequente valorização quando os preços sobem com força
Barras de ouro: ativo não se valorizou neste ano como muitos analistas esperavam com a alta dos preços | Foto: Edgar Su/Reuters (Reuters/Edgar Su)
Barras de ouro: ativo não se valorizou neste ano como muitos analistas esperavam com a alta dos preços | Foto: Edgar Su/Reuters (Reuters/Edgar Su)
Por BloombergPublicado em 10/10/2021 08:49 | Última atualização em 10/10/2021 22:38Tempo de Leitura: 4 min de leitura

O papel tradicional do ouro como proteção contra a inflação não tem surtido efeito neste ano, mas riscos crescentes de que a recuperação global possa estagnar com o aumento das pressões sobre os preços podem sinalizar uma virada para o metal precioso.

A inflação já havia se acelerado devido a estímulos sem precedentes durante a pandemia e à medida que a distribuição de vacinas estimulava a reabertura gradual de alguns países. O aumento dos preços da energia no último mês devido à crise de oferta, além do amplo rali das commodities, agora gera preocupação de pressões de custo sustentadas.

No entanto o ouro caminha para a maior queda anual desde 2015.

Historicamente, o ouro tem sido visto como um investimento atraente quando a inflação se acelera. O metal triplicou de valor até o fim da década de 1970 com os preços ao consumidor dos Estados Unidos em quase 15% ao ano. Mas o ouro também é sensível aos juros, e investidores apostam que bancos centrais em breve começarão a reduzir o estímulo e a aumentar as taxas. Isso reduziu o apelo do metal precioso.

“O ouro no curto prazo não é uma boa proteção contra a inflação, ao contrário da crença popular. A longo prazo, se sai melhor”, disse Wayne Gordon, diretor executivo de commodities e câmbio na UBS Global Wealth Management.

“Portanto, não vemos um desempenho superior, a menos que o crescimento desaponte e haja um risco mais amplo, o que leva a uma reversão das tendências de política monetária.”

Desta vez, porém, investidores estão diante da possibilidade de a estagflação -- a combinação de desaceleração do crescimento e aumento dos preços que atingiu as principais economias ocidentais na década de 1970 -- voltar aos mercados com a recente disparada dos custos da energia. A turbulência nas cadeias de suprimentos também elevou o preço de muitos produtos para consumidores.

“A estagflação forçaria uma rotação macro saindo de ativos de reflação típicos ou commodities, como petróleo e cobre, para o setor (de metal) precioso”, disse Nicky Shiels, chefe do grupo de estratégia de metais na MKS (Suíça).

Na quinta-feira, dia 7, Yannis Stournaras, membro do conselho do Banco Central Europeu, descartou a ideia de estagflação.

No início da semana que passou, a presidente do BCE, Christine Lagarde, disse que o banco vai garantir que as expectativas de inflação fiquem ancoradas em 2% ao ano e alertou que “não devemos reagir exageradamente à escassez de oferta ou ao aumento dos preços da energia, pois nossa política monetária não pode afetar diretamente esses fenômenos”.

Desde o recorde acima de 2.075 dólares a onça no ano passado, o ouro acumula baixa de cerca de 15% na esteira da disparada do dólar e com o aumento dos rendimentos dos títulos, o que reduz o apelo do metal -- que não rende juros.

A prata também mostra perdas e é negociada perto do nível mais baixo desde julho de 2020. A queda dos preços pode ser uma oportunidade de compra para aqueles que ainda acreditam no papel do ouro como proteção contra a inflação.

“Não é uma questão de se a inflação terá um forte impacto, mas uma questão de quando”, disse Gnanasekar Thiagarajan, diretor da Commtrendz Risk Management Services. “Portanto investir em ouro e prata é o mais ideal, porque o ouro é uma proteção inflacionária e a prata tende a se valorizar muito mais quando o ouro começa a subir.”