Por que a manutenção dos juros na China foi vista como negativa? A Gavekal explica o motivo

A China surpreendeu o mercado na última segunda-feira — e não foi exatamente de uma maneira positiva

China: banco central manteve a taxa de juro inalterada na última segunda-feira, 15 (Peng Song/Getty Images)
China: banco central manteve a taxa de juro inalterada na última segunda-feira, 15 (Peng Song/Getty Images)
Janize Colaço
Janize Colaço

Repórter de Invest

Publicado em 16 de janeiro de 2024 às 14h25.

A China surpreendeu o mercado na última segunda-feira, 15, e não exatamente de uma maneira positiva. Na contramão das expectativas de corte de juros, o Banco Central chinês optou pela manutenção da sua taxa de juro. O movimento acendeu o alerta dos investidores, que agora estão cautelosos com a política pró-crescimento anunciada pelo país, no final do ano passado, em meio a dados econômicos recentes que vieram relativamente mais fracos.

Para a Gavekal Research, as perspectivas de crescimento da China para este ano dependem, em grande parte, da política monetária. Isso porque ainda há muitas incertezas rondando a segunda maior potência do mundo. 

Dados de dezembro não indicam uma economia tão acelerada quanto o esperado: o PMI oficial de manufatura enfraqueceu, enquanto as vendas diárias de imóveis em 30 grandes cidades permaneceram em apenas cerca de 60% do mesmo mês de 2019. “Esses sinais levaram muitos analistas, incluindo nós, a esperar que o Banco Popular da China cortasse as taxas de juros em janeiro”, diz Wei He, analista da Gavekal, em relatório.

Juros inalterados na China e a decepção do mercado

Sinais mistos têm vindo da China nos últimos meses. No final do ano passado, o país anunciou uma injeção recorde na economia. Porém, a emissão de títulos do governo, até este mês de janeiro, não superou a do ano passado. Agora, o BC manteve as taxas inalteradas. 

“A decisão de manter as taxas é negativa para o sentimento do mercado e para o crescimento econômico, sugerindo que as autoridades não estão se esforçando muito para apresentar uma mensagem coordenada e forte pró-crescimento no início do ano.”

Ainda assim, He escreve que as autoridades chinesas, provavelmente, ainda devem reduzir as taxas de juros no 1º trimestre — o que significa que os rendimentos dos títulos devem permanecer no atual patamar. “O nível atual, que já está baixo, sinaliza espaço para um novo estreitamento, provavelmente limitado, salvo um choque substancial no crescimento.”

O que esperar da economia chinesa?

Para o analista da Gavekal, apesar da decepção desta semana, as expectativas do mercado, de que o corte nos juros da China ocorrerá nos próximos meses, estão na direção correta. Ele frisa que as vendas de imóveis dificilmente vão subir nas próximas semanas, e que a economia não deve trazer grandes sinais de aceleração até o final do trimestre.

“O resultado disso é que as autoridades devem cortar as taxas em fevereiro ou março. Com isso, o rendimento dos títulos de dez anos flutuará em torno do seu atual nível baixo por pelo menos mais alguns meses”, diz Wei He.

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