Petróleo na Venezuela: incertezas sobre aumento de produção (Getty Images/Reprodução)
Redação Exame
Publicado em 5 de janeiro de 2026 às 18h00.
Os preços do petróleo fecharam em alta no mercado internacional nesta segunda-feira, em meio ao aumento da incerteza geopolítica após a derrubada do presidente venezuelano Nicolás Maduro em uma operação liderada pelo governo dos Estados Unidos. A instabilidade em torno da Venezuela — país com as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo — reacendeu temores sobre oferta no curto prazo e sustentou o avanço das cotações.
O barril do petróleo WTI, referência nos Estados Unidos, subiu 1,54%, a US$ 58,20, enquanto o Brent, padrão global, avançou 1,4%, para US$ 61,60.
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou no sábado que a entrada de empresas americanas no setor petrolífero venezuelano é um dos principais objetivos da mudança de regime no país.
“Vamos levar nossas grandes empresas de petróleo dos Estados Unidos — as maiores do mundo — para investir bilhões de dólares e consertar a infraestrutura de petróleo, que está gravemente deteriorada”, disse Trump em entrevista coletiva realizada em sua residência em Mar-a-Lago, na Flórida.
Apesar do discurso, o presidente reforçou que o embargo americano ao petróleo venezuelano segue em vigor.
A Venezuela é membro fundador da Opep e concentra cerca de 303 bilhões de barris em reservas comprovadas, o equivalente a aproximadamente 17% do total global, segundo a Administração de Informação de Energia dos EUA.
No fim dos anos 1990, o país chegou a produzir cerca de 3,5 milhões de barris por dia, mas o volume despencou ao longo das últimas décadas. Atualmente, a produção gira em torno de 800 mil barris diários, de acordo com dados da consultoria Kpler.
A americana Chevron é hoje a única grande petroleira dos Estados Unidos em operação na Venezuela. No fim do quarto trimestre de 2025, a companhia exportava cerca de 140 mil barris por dia, segundo a Kpler.
Para analistas, o impacto da queda de Maduro sobre os preços do petróleo ainda é incerto no curto prazo. Daan Struyven, chefe de pesquisa em petróleo do Goldman Sachs, afirmou em relatório a clientes que a produção venezuelana poderia crescer gradualmente caso um governo apoiado pelos EUA seja instalado e as sanções sejam suspensas.
Por outro lado, ele alertou que a transição política pode provocar interrupções temporárias na oferta, sustentando os preços no curto prazo. No horizonte mais longo, investimentos americanos capazes de elevar a produção tenderiam a pressionar as cotações para baixo, embora a recuperação deva ser lenta e apenas parcial, segundo a análise citada pela CNBC.
A avaliação é semelhante à de Helima Croft, chefe de estratégia global de commodities da RBC Capital Markets. Segundo ela, executivos do setor estimam que serão necessários cerca de US$ 10 bilhões por ano para reverter o declínio da produção venezuelana, além de um ambiente de segurança estável.
Em um cenário de transição ordenada de poder e alívio total das sanções, a Venezuela poderia adicionar algumas centenas de milhares de barris por dia à produção ao longo de 12 meses. “No entanto, todas as apostas caem por terra em um cenário caótico de mudança de poder, como ocorreu na Líbia ou no Iraque”, afirmou Croft, em comentário reproduzido pela CNBC.