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Ouro recua à espera de dados econômicos dos EUA

Apesar da desvalorização momentânea, o metal precioso sustenta um patamar elevado, permanecendo acima da marca de US$ 5.000 por onça

Ouro: apesar da queda, tendência permanece positiva (wirestock/Getty Images)

Ouro: apesar da queda, tendência permanece positiva (wirestock/Getty Images)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 10 de fevereiro de 2026 às 07h08.

O ouro recuava nesta terça-feira, 10, com os investidores cautelosos antes da divulgação de indicadores econômicos importantes nos Estados Unidos. Nesta semana, serão divulgados os relatórios de empregos (Payroll, em inglês) e a inflação americana.

O movimento de baixa é influenciado, também, por uma realização de lucros após os ganhos registrados na sessão anterior.

Apesar da queda pontual, o ouro segue em nível elevado, acima de US$ 5.000 por onça, sustentado pela valorização acumulada no longo prazo.

Às 6h31, no horário de Brasília, o ouro à vista estava sendo negociado a US$ 5.050,11, em queda de 0,16%.

Impacto dos dados macroeconômicos e política do Fed

A queda do ouro reflete a cautela do mercado à espera de sinais mais claros sobre os juros do Federal Reserve (Fed).

Investidores acompanham a divulgação de dados econômicos nos EUA nesta semana, como vendas no varejo e o relatório de emprego (nonfarm payrolls), segundo a Reuters.

Para Jigar Trivedi, analista sênior da IndusInd Securities, os metais tendem a operar em faixas estreitas, com leve viés negativo, influenciados pela realização de lucros.

O cenário também é afetado pelas expectativas em relação ao Fed, já que o mercado projeta ao menos dois cortes de 25 pontos-base nos juros em 2026, com início previsto para junho.

Como não paga juros, o ouro costuma se beneficiar em períodos de taxas mais baixas.

Além disso, declarações do conselheiro econômico da Casa Branca, Kevin Hassett, indicando possível desaceleração no crescimento do emprego nos EUA, reforçam as discussões sobre os próximos passos da política monetária, segundo a agência.

A resiliência da alta estrutural

Apesar de operar abaixo do recorde de US$ 5.594,82, registrado em 29 de janeiro, analistas avaliam que a tendência do ouro segue positiva.

Segundo Ilya Spivak, chefe de macro global da Tastylive, o metal mantém um viés estrutural de alta, afirmou à Reuters.

A atenção do mercado agora se volta para o impacto das expectativas de curto prazo sobre a política do Fed. No acumulado de um ano, o ouro registra valorização de 73,87%.

Na Índia, um dos principais mercados do metal, a leitura também segue favorável. Para Gaurav Garg, da Lemonn Markets Desk, o sentimento é “cautelosamente otimista”, apesar das incertezas macroeconômicas, disse ao Mint Markets.

Perspectivas técnicas e mercado de metais

Os contratos futuros de abril caíram 0,5%, para US$ 5.051,70, mas analistas indicam que o patamar de US$ 5.000 funciona como um suporte importante no curto prazo.

Mesmo após a correção recente, o ouro ainda apresenta sinalização de “forte compra” nos períodos diário e semanal, indicando que o interesse dos compradores segue firme, apesar da volatilidade recente.

Prata também recua 2,1%

A queda também atingiu outros metais preciosos. A prata à vista recuou 2,1%, para US$ 81,63 a onça, após alta de quase 7% na sessão anterior.

A platina caiu 2% e o paládio recuou 1,1%, acompanhando o movimento negativo.

O recuo conjunto indica que investidores estão ajustando posições em ativos de proteção diante da expectativa por novos dados econômicos que podem influenciar o custo do capital global.

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