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O ano mal começou e seis empresas da Bolsa trocaram de CEO

Embora os motivos variem, há um pano de fundo comum: empresas que encerraram o ano passado com desafios operacionais, resultados abaixo das expectativas ou diante de novas diretrizes de crescimento

Em todos os casos, a renovação da liderança no C-Level sinaliza um reposicionamento, segundo Luiz Marcatti, presidente da Mesa Corporate Governance e Conselheiro de Administração.  (Montagem EXAME com elemento do Canva/Reprodução)

Em todos os casos, a renovação da liderança no C-Level sinaliza um reposicionamento, segundo Luiz Marcatti, presidente da Mesa Corporate Governance e Conselheiro de Administração.  (Montagem EXAME com elemento do Canva/Reprodução)

Letícia Furlan
Letícia Furlan

Repórter de Mercados

Publicado em 19 de janeiro de 2026 às 11h43.

Última atualização em 19 de janeiro de 2026 às 11h48.

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Desde o último trimestre de 2025, pelo menos seis grandes empresas anunciaram trocas no comando executivo. Embora os motivos variem, há um pano de fundo comum: empresas que encerraram o ano passado com desafios operacionais, resultados abaixo das expectativas ou diante de novas diretrizes de crescimento.

Em todos os casos, a renovação da liderança no C-Level sinaliza um reposicionamento, segundo Luiz Marcatti, presidente da Mesa Corporate Governance e Conselheiro de Administração. 

Na Hapvida (HAPV3), Jorge Pinheiro deixou o cargo de CEO para se tornar chairman executivo, numa transição que deve se estender por todo o ano. O comando foi assumido por Luccas Augusto Adib, então CFO da empresa.

A decisão veio em meio a uma fase de revisão de produtos, corte de custos e dúvidas sobre a disciplina financeira da companhia, que enfrenta dívida elevada e perda de confiança do mercado. Desde outubro, a Hapvida também promoveu outras mudanças na liderança, com trocas nos cargos de COO e VP Comercial. Segundo analistas do Bradesco BBI e do Safra, o movimento tem impacto misto, com potenciais ganhos operacionais e riscos ligados à instabilidade.

Segundo Marcatti, a mudança de CEO na Hapvida encerra a gestão de um executivo com laços diretos com a fundação da companhia. Filho do fundador e há anos à frente da operadora de saúde, o executivo deixa o cargo sob pressão dos resultados ruins em mercados-chave onde a empresa atua. "Agora, devem buscar passar uma imagem mais voltada para a administração de um profissional de mercado, mas com a segurança de já atuar na empresa", opina.

Na IMC (MEAL3), Alexandre Santoro deixou a presidência após um ciclo iniciado em 2021, quando a Faro Capital assumiu o controle da empresa em meio à pandemia. Em três anos, a companhia vendeu ativos, reduziu a alavancagem e simplificou operações. A sucessão será concluída em fevereiro com a chegada de Fernando Cesar Calamita, ex-GRSA, que assume com foco em expansão disciplinada e fortalecimento das marcas próprias, como o Frango Assado.

"Com a renúncia do antecessor, os acionistas estão buscando mais força no desempenho financeiro e operacional", afirma Marcatti sobre a IMC.

Já o Grupo Pão de Açúcar (PCAR), que passou a ser controlada pela família Coelho Diniz após a saída do Casino, vive um reposicionamento de estratégia e governança. Rafael Russowsky, que atuava como CEO interino desde outubro, deixou o cargo em janeiro. Santoro, ex-IMC, assumiu a presidência com a missão de reorganizar as operações e recuperar a rentabilidade num mercado pressionado por atacarejos e margens estreitas.

Para Marcatti, com a chegada de novos controladores, o processo de transição vai além da troca no comando: há expectativa de mudanças estruturais na cultura e no modelo de gestão da companhia.

Na CVC (CVCB3), a troca foi imediata. Fabio Godinho foi substituído em janeiro por Fabio Mader, executivo com mais de 20 anos de experiência no setor de turismo e 15 anos de casa. Mader era vice-presidente de Produtos e Receitas e participou da reestruturação recente. Segundo o Santander, a mudança é vista como natural e alinhada ao ciclo atual de execução e rentabilidade. Ainda assim, o mercado reagiu negativamente ao timing da mudança, em meio a um histórico de volatilidade das ações da companhia.

"A percepção, na CVC, é que o CEO anterior atuava focado nos processos de recuperação das perdas da pandemia e que o momento atual demandará do novo CEO a estabilização das operações, relação com o mercado e a busca do crescimento de resultados", explica o especialista.

Na Stone (STOC34), Pedro Zinner anunciou sua saída do comando em março, por motivos pessoais. Ele deve assumir a presidência do conselho. Quem assume o posto de CEO é Mateus Scherer, atual CFO e um dos primeiros executivos da empresa. Para o presidente da Mesa Corporate Governance, a troca faz parte de um movimento mais amplo.

A reconfiguração atinge também o conselho de administração e reflete o novo momento da companhia após a venda da Linx. Com o reposicionamento do foco de negócios, a Stone abre espaço para novas visões estratégicas e ajustes profundos na atuação do C-Level.

Na Brava Energia (BRAV3), a renúncia de Décio Oddone ao cargo de CEO conclui um ciclo de projetos como Atlanta e Papa-Terra. O comando passa a Richard Kovacs, então presidente do conselho. A empresa afirma que a sucessão já estava planejada e mantém o foco em disciplina de capital, eficiência e continuidade operacional, num momento em que a produção nos campos recuperados começa a maturar.

"Aparentemente mostra a necessidade de uma mudança de foco, de forte crescimento, para a consolidação da performance operacional", opina.

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