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Natura (NTCO3) quer se separar da Avon e lidera altas do Ibovespa; entenda

Companhia diz que separação está em linha com o objetivo de simplificar sua estrutura corporativa e proporcionar mais autonomia para as unidades de negócio

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Por volta das 13h15, os papéis da Natura (NTCO3) subiam 6,35%, cotados a R$ 17,08 (Leandro Fonseca/Exame)

Por volta das 13h15, os papéis da Natura (NTCO3) subiam 6,35%, cotados a R$ 17,08 (Leandro Fonseca/Exame)

As ações da Natura (NTCO3) dispararam e lideram as altas do Ibovespa desta terça-feira, 6. Isso porque, na véspera, a companhia anunciou que tem avaliado a separação da Avon a fim de formar duas companhias independentes e de capital aberto. Por volta das 13h15, os papéis NTCO3 subiam 6,35%, cotados a R$ 17,08.

Em fato relevante, a companhia afirma que a possível separação está em linha com o objetivo de simplificar sua estrutura corporativa e proporcionar mais autonomia para as suas unidades de negócio. Vale lembrar que em dezembro a Natura já havia realizado a venda da Aesop e The Body Shop.

Com uma possível separação entre a Avon e a Natura, a holding afirma que as empresas terão planos de negócios únicos, governança independente e equipes de gestão mais bem equipadas para buscar estratégias personalizadas a fim de gerar valor para os acionistas no longo prazo. Desta forma, a estrutura dos negócios deve ser a seguinte:

  • Natura: uma empresa líder em beleza, com um histórico de foco em sustentabilidade, proprietária e operadora da marca Natura em todo o mundo, e com o direito a operar a marca Avon na América latina, e;
  • Avon: a proprietária da marca Avon, operando um negócio diversificado geograficamente, com uma sólida herança de inovação em beleza e cuidados pessoais, impulsionada pelo propósito intrínseco de criar um mundo melhor para as mulheres.

Separação entre Natura e Avon anima investidores

Os investidores reagem com otimismo a possível segregação da Avon dos negócios da Natura — não por acaso os papéis do grupo lideram as altas do pregão de hoje. “Na nossa avaliação, esse é um movimento positivo, pois reaproxima a Natura de seu mercado de maior rentabilidade, enquanto pode buscar soluções personalizadas para a Avon”, diz Luis Novaes, analista da Terra Investimentos, à EXAME Invest.

O especialista lembra que ao longo dos últimos anos, a Natura se comprometeu em um plano de expansão inorgânica, comprando companhias no exterior com o objetivo de aumentar sua presença global. “Isso tornou a empresa em um conglomerado de grande complexidade, enquanto o retorno consolidado se tornou menor, demonstrando que a estratégia não saiu como o planejado num primeiro momento”, diz.

Novaes ainda destaca que as duas empresas separadas teriam uma simplificação para direcionar políticas administrativas, considerando seus modelos de negócios distintos. “A Natura tem um foco maior na América do Sul, e a Avon nos mercados desenvolvidos.”

A mesma linha é defendida por Pedro Canto, analista CNPI da CM Capital, que destaca que o movimento é benéfico aos investidores da companhia, tanto por conta da simplificação das áreas, bem como ao potencial de crescimento da Natura. Segundo ele, há múltiplos diferentes para as divisões, sendo que a margem Ebitda da Natura para 2023 é de 12 a 13%, enquanto da Avon é de em torno de 7%.

“Se a cisão for levada adiante, há um potencial bem positivo para as ações da Natura, com múltiplos mais elevados com a separação da Avon, e sendo uma divisão mais premium das operações”, disse à EXAME Invest.

Além disso, ele acredita que esse movimento pode gerar dividendos extraordinários. “A fim de ajustar a nova estrutura de capital com essa separação. Assim, é um movimento benéfico tanto para a empresa quanto aos investidores, com boas perspectivas de valuation e, naturalmente, de crescimento e dos múltiplos também negociando mais altos.”

BTG vê curto prazo desafiador

Em relatório, os analistas do BTG Pactual (mesmo grupo controlador da EXAME) lembram que em 2022 o banco rebaixou para neutro a recomendação das ações da Natura. Na ocasião, eles apontaram os seguintes desafios da holding:

  •  alta alavancagem em meio ao cenário de altas taxas de juros (resolvido por meio da venda da Aesop por US$2,5 bilhões em abril e da TBS em Novembro de 2023);
  • problemas na renovação da Avon (principalmente na América Latina, mas também internacionalmente), que deverão continuar prejudicando a rentabilidade e o ROIC.

Com a possível segregação da Avon, que foi vista como positiva para o BTG, sobretudo com a melhora no fluxo de caixa em meio ao cenário adverso, os analistas alertam: “o curto prazo deve continuar desafiador em termos de fundamentos, levando-nos a manter nossa recomendação neutra por enquanto”.

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