Mina de cobre em Carajás: motor do crescimento da VBM no 1º tri (Ricardo Teles/Divulgação)
Editor de Invest
Publicado em 28 de abril de 2026 às 20h35.
Última atualização em 28 de abril de 2026 às 20h35.
A divisão de metais básicos da Vale teve papel de destaque no balanço do primeiro trimestre de 2026 da companhia. O EBITDA da Vale Base Metals mais que dobrou na comparação anual, saltando 116% para US$ 1,197 bilhão, impulsionado principalmente pela forte valorização do cobre nos mercados internacionais e por melhorias operacionais significativas no segmento de níquel. O desempenho reforça a estratégia da companhia de diversificar sua base de receitas para além do minério de ferro.
O cobre foi o principal motor de crescimento da divisão O preço médio do metal na Bolsa de Metais de Londres (LME) chegou a US$ 12.844 por tonelada no trimestre, alta de 38% sobre o mesmo período de 2025. Mas o preço efetivamente realizado pela Vale foi ainda maior: US$ 13.143 por tonelada, 48% acima do primeiro trimestre de 2025. A cotação foi beneficiada por ajustes favoráveis de precificação de contratos anteriores.
O EBITDA do segmento de cobre cresceu 74% na comparação anual, para US$ 949 milhões. As duas principais minas do metal em Carajás contribuíram de forma expressiva: Salobo gerou EBITDA de US$ 697 milhões, alta de 73%, enquanto Sossego surpreendeu com um salto de 286%, para US$ 309 milhões.
Além do cobre em si, os subprodutos das operações também turbinaram o resultado. O ouro, extraído junto com o cobre nas minas de Salobo e Sossego, foi vendido a um preço médio de US$ 4.975 por onça, alta de 69% sobre o primeiro trimestre de 2025, gerando receita adicional de US$ 486 milhões apenas nessa linha. A prata também contribuiu, com preço médio de US$ 88 por onça, 175% acima do registrado um ano antes.
Se o cobre foi o destaque esperado, o níquel trouxe a surpresa do trimestre. O EBITDA do segmento disparou 576% na comparação anual, de apenas US$ 41 milhões para US$ 277 milhões .
O resultado foi impulsionado por três fatores simultâneos: melhora operacional nas minas de Sudbury e Voisey's Bay, no Canadá, receitas recordes de subprodutos como PGMs — metais do grupo da platina, usados em catalisadores automotivos e eletrônicos — e a valorização de 11% no preço do níquel na LME, que chegou a US$ 17.356 por tonelada. O preço médio realizado pela Vale ficou em US$ 17.015 por tonelada, alta de 6% sobre o primeiro trimestre de 2025.
A Vale Base Metals também avançou em sua agenda estratégica no trimestre: fechou um acordo para formar um consórcio para as operações de Thompson, no Canadá, encerrando a revisão estratégica do ativo. A companhia manterá participação de 18,9% na operação, enquanto os parceiros do consórcio se comprometeram com até US$ 200 milhões para sustentar a operação no longo prazo.
Os números de produção e vendas reforçam o momento positivo da divisão. As vendas de cobre totalizaram 72 mil toneladas no trimestre, alta de 18% sobre o 1T25, com produção de 102,3 mil toneladas — avanço de 12,5% e o melhor resultado para um primeiro trimestre desde 2017. Os recordes em Salobo e Sossego foram os principais responsáveis pelo desempenho. Para o ano completo, a Vale mantém guidance de 350 a 380 mil toneladas de cobre.
No níquel, as vendas chegaram a 45 mil toneladas, crescimento de 15% na comparação anual, com produção de 49,3 mil toneladas — alta de 12,3% e o melhor primeiro trimestre desde 2020. A Vale projeta entre 175 e 200 mil toneladas do metal para 2026.