Invest

Lvmh, Hermès, Prada: marcas de luxo não conhecem crise e aumentarão faturamento

Segundo relatórios do Bank of America e do UBS, os resultados trimestrais que serão divulgados nos próximos dias apresentarão crescimentos de dois dígitos nas receitas

Bolsa da Prada (Getty Images/Exame)

Bolsa da Prada (Getty Images/Exame)

A inflação mundial pode ser recorde, a guerra na Ucrânia e as tensões entre China e Estados Unidos por Taiwan podem provocar temores nos mercados, e Produtos Internos Brutos (PIB) de muitos países poderão ser negativos este ano. Mas os resultados trimestrais das empresas europeias do setor de luxo serão recordes.

Essa é a expectativa dos analistas do Bank of America Merrill Lynch (BOAC34), que estão prevendo um aumento médio nas receitas da indústria europeia de luxo de 15% a taxas de câmbio constantes. O otimismo com o setor do luxo é compartilhado também pelos colegas do UBS (UBSG34), que estão prevendo uma alta de 16% nos faturamentos, impulsionados pelo fim das restrições na China (mesmo com lockdowns pontuais), e com a volta dos turistas à Europa. Além disso, a força do câmbio do dólar também ajudou a competitividade das empresas do setor de luxo, já que o mercado americano é um dos maiores do mundo.

Segundo os analistas dos diferentes bancos, como sempre, algumas marcas e empresas se sairão melhor do que outras, mas o crescimento da receita será generalizado em todo o setor. A previsão mediana é que no trimestre julho-setembro de 2022 as receitas das empresas do setor de luxo tenham crescido em média 11% em comparação com o mesmo período de 2021, que também foi um trimestre positivo, e que marcou a volta das marcas aos níveis pré-pandemia.

Um dos sinais que deixam os analistas otimistas é o nível de pedidos de restituição de impostos solicitada em agosto passado pelos turistas que visitaram a Europa, que registrou um aumento de 148% em relação ao mesmo mês de 2021. Um resultado possível graças a volta dos turistas americanos, que aumentaram 85% em relação ao agosto de 2019, e pelo dólar forte.

Por sua vez, os consumidores chineses voltaram a comprar produtos de luxo especialmente em Hong Kong, graças à reabertura pós-pandemia.

Temporada de resultados das empresas de luxo

A temporada de resultados das empresas de luxo europeias começará na próxima semana, com o gigante francês LVMH  que vai divulgar seus resultados no dia 11 de outubro, continuará com a Brunello Cucinelli no dia 19 de outubro, Hermès e Kering no dia 20 de outubro, Moncler no dia 26 de outubro, e continuando até o dia 17 de novembro com a Burberry.

A LVMH, gigante global do luxo, deve registrar crescimento de dois dígitos, com a divisão de roupas e bolsas que aumentarão o faturamento em até 20%. Mas a Hermès também está entre as ações favoritas dos analistas, pois já registrou boas encomendas de bolsas e acessórios ao longo de 2023.

As grandes marcas foram obrigadas a aumentar seus preços por causa da inflação, e terão que fazer isso novamente pois o "dragão" está assoprando forte na Europa, especialmente no caso dos custos mais elevados das matérias-primas, transportes e energia. Todavia, até o momento, os preços mais elevados dos produtos de luxo não desencorajou as compras de clientes.

Mercados financeiros ainda pessimistas

As empresas do setor de luxo já apresentara resultados positivos nos primeiros meses do ano. Todavia, as cotações das ações nas Bolsas de Valores continua em queda. Os investidores europeus e americanos continuam muito preocupados com o contexto macroeconômico e internacional, e de todas as maiores casas de moda de luxo só as ações da Ermenegildo Zegna - listadas em Wall Street - estão registrando um resultado positivo.

De acordo com o UBS, o setor de luxo é negociado com um prêmio de 120% em relação ao índice MSCI Europe, contra uma média de 90% nos últimos cinco anos. Esse prêmio seria justificado pelo fato desta indústria ter provado ser capaz de criar valor a longo prazo, também para 2023.

Segundo o Bank of America, todavia, existe o receito que a percepção da economia afete o humor dos americanos. Já em setembro o varejo havia desacelerado no mercado dos EUA. Todavia, as marcas de luxo mais importantes conseguiram reter seus clientes que normalmente continuam comprando apesar da recessão.

O crescimento nos primeiros meses de 2023 será então facilitado pelo aumento das vendas na China - que este ano parou entre janeiro e maio devido ao lockdown generalizado - sem contar que os compradores internacionais ficaram entusiasmados com os desfiles de moda de Milão e Paris com as coleções da próxima temporada primavera-verão.

Acompanhe tudo sobre:LuxoResultado

Mais de Invest

Mega-Sena acumulada: quanto rendem R$ 86 milhões na poupança

Como investir na Nasdaq?

"Se Lula indicar nome pior que Galípolo para o BC, o mercado entrará em pânico", diz Marilia Fontes

Mesmo chamada de ‘perda fixa’ a renda fixa pode pagar até IPCA + 7,5%; veja 2 títulos

Mais na Exame